SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2017
Senhor José, 76 anos, procurou atendimento médico na Unidade Básica de Saúde devido à queixa de mal-estar inespecífico iniciado há 2 dias; após anamnese e exame físico sumário não se identificou nenhuma doença e o paciente foi liberado com orientações. Após 3 dias, o paciente retorna referindo que as suas pernas estavam fracas, todavia, na avaliação não foi possível identificar alterações significativas. Após 4 dias, o paciente retornou mantendo queixas inespecíficas. O médico, diante das frequentes visitas do paciente à Unidade de Saúde, atentou-se para a possibilidade de uma “agenda oculta” e iniciou uma abordagem centrada na pessoa na atual consulta. Acerca desde método assinale a alternativa CORRETA:
Abordagem Centrada na Pessoa: identificar 'agenda oculta' e prevenir demanda aditiva, fortalecendo a aliança terapêutica.
A abordagem centrada na pessoa (ACP) é um método essencial na atenção primária, especialmente em casos de queixas inespecíficas e retornos frequentes. Ela busca entender as preocupações subjacentes do paciente ('agenda oculta') e, ao abordá-las, previne a 'demanda aditiva', ou seja, retornos desnecessários por problemas não resolvidos na consulta inicial.
A abordagem centrada na pessoa (ACP) é um modelo de consulta que transcende a visão puramente biomédica, buscando compreender o paciente em sua totalidade – como indivíduo, em seu contexto familiar e social. É particularmente relevante na Atenção Primária à Saúde, onde os profissionais lidam com uma vasta gama de problemas, muitos dos quais não se encaixam em diagnósticos de doenças específicas. Um dos conceitos chave da ACP é a 'agenda oculta', que são as preocupações não expressas explicitamente pelo paciente, mas que motivam sua busca por atendimento. Em casos como o do Senhor José, com queixas inespecíficas e retornos frequentes, a suspeita de uma agenda oculta é pertinente. Ao adotar a ACP, o médico busca ativamente essas preocupações subjacentes, utilizando escuta ativa, empatia e perguntas abertas para que o paciente se sinta à vontade para expressá-las. A 'prevenção de demanda aditiva' é uma consequência direta e um objetivo da ACP. Ao resolver as preocupações reais do paciente, mesmo que não sejam uma 'doença' no sentido tradicional, o médico evita que o paciente retorne repetidamente com queixas vagas, buscando uma solução para um problema não abordado. Isso otimiza o uso dos serviços de saúde e fortalece a aliança terapêutica, que é a relação de confiança e colaboração entre médico e paciente, fundamental para o sucesso do tratamento e acompanhamento.
A 'agenda oculta' refere-se às preocupações, medos, expectativas ou problemas não explicitados pelo paciente no início da consulta, mas que são a verdadeira razão de sua busca por atendimento. Identificá-la é crucial para uma abordagem eficaz.
Ao focar nas preocupações e expectativas do paciente (incluindo a agenda oculta), a abordagem centrada na pessoa permite que o médico aborde as questões subjacentes que motivam as visitas. Isso reduz a necessidade de retornos frequentes por queixas inespecíficas, prevenindo a demanda aditiva.
A aliança terapêutica, baseada na confiança e colaboração entre médico e paciente, é um pilar da abordagem centrada na pessoa. Ela facilita a comunicação aberta, a identificação da agenda oculta e a adesão ao plano de cuidados, promovendo melhores resultados de saúde.
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