Abordagem Centrada na Pessoa: Cuidado Holístico em Oncologia

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 55 anos, casada, mãe de três filhos, é a segunda filha de uma prole de seis filhos. Pai e mãe já faleceram, ele de AVC e ela de câncer. A paciente apresenta múltiplas queixas. No último ano, chegou à UBS e após ações de detecção foi diagnosticado câncer de colo uterino. Realizou exame histopatológico e foi encaminhada para unidade de referência, onde foi submetida à cirurgia e quimioterapia. Porém, devido à apresentação de toxicidade ao tratamento e presença de metástase cerebral, foi modificada a proposta terapêutica. Considerando as dimensões da abordagem centrada na pessoa, em relação ao caso, é correto afirmar que o(a):

Alternativas

  1. A) prestação de um cuidado efetivo requer um olhar amplo para além da doença, incluindo a experiência da doença e a concordância da pessoa no plano terapêutico
  2. B) natureza dos problemas deve nortear o estabelecimento das prioridades na consulta, entretanto o momento adequado não interfere no manejo
  3. C) médico deve desencorajar a participação da pessoa na decisão do plano terapêutico, valorizando o contexto familiar
  4. D) experiência sobre a doença está relacionada aos múltiplos fatores do adoecer, sendo homogêneo na população

Pérola Clínica

Cuidado centrado na pessoa → olhar holístico, considerar experiência do paciente e promover decisão compartilhada.

Resumo-Chave

A abordagem centrada na pessoa reconhece que o paciente é mais do que sua doença. Envolve compreender a experiência individual do adoecer, suas preferências, valores e contexto familiar, promovendo a participação ativa na construção do plano terapêutico para um cuidado mais efetivo e humanizado.

Contexto Educacional

A abordagem centrada na pessoa é um paradigma fundamental na medicina contemporânea, especialmente em contextos complexos como o da oncologia avançada. Ela transcende o modelo biomédico tradicional, que foca primariamente na doença e seus aspectos fisiopatológicos, para incluir a totalidade da experiência do paciente. Isso significa considerar não apenas o diagnóstico e o tratamento, mas também o impacto da doença na vida do indivíduo, suas emoções, valores, crenças, contexto familiar e social, e suas preferências em relação ao cuidado. Nesse contexto, a comunicação efetiva e a tomada de decisão compartilhada tornam-se elementos centrais. O médico deve atuar como um facilitador, fornecendo informações claras e compreensíveis sobre as opções terapêuticas, seus potenciais benefícios e riscos, e as alternativas disponíveis, incluindo os cuidados paliativos. É essencial que o paciente se sinta ouvido e respeitado em suas escolhas, mesmo quando estas divergem das expectativas médicas, garantindo sua autonomia e dignidade. A prestação de um cuidado efetivo e humanizado requer um olhar amplo que reconheça a singularidade de cada paciente. Em casos de câncer avançado com toxicidade ao tratamento e metástases, onde a cura pode não ser mais uma meta, o foco se desloca para a qualidade de vida, o alívio do sofrimento e o suporte integral. A concordância da pessoa no plano terapêutico, baseada em uma compreensão mútua e respeito, é vital para que o tratamento seja alinhado aos seus objetivos e valores, resultando em maior satisfação e bem-estar.

Perguntas Frequentes

O que significa a abordagem centrada na pessoa na prática clínica?

A abordagem centrada na pessoa significa que o cuidado vai além da doença, considerando o paciente como um todo: suas emoções, crenças, valores, contexto social e familiar, e suas preferências na tomada de decisões sobre o tratamento.

Qual a importância da experiência da doença para o plano terapêutico?

A experiência da doença é crucial porque as percepções e os impactos do adoecer são únicos para cada indivíduo. Compreender essa experiência permite ao médico adaptar o plano terapêutico às necessidades e expectativas do paciente, aumentando a adesão e a satisfação.

Como o médico pode promover a participação do paciente na decisão terapêutica?

O médico deve promover a participação do paciente através de uma comunicação clara e empática, explicando as opções de tratamento, seus riscos e benefícios, e ouvindo ativamente as preocupações e preferências do paciente, buscando uma decisão compartilhada.

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