FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2023
O sr. Altair retorna em consulta com resultados de exames e sem queixas na Atenção Primária à Saúde. Sua hemoglobina glicada está 10,2% e ele utiliza 2 classes de hipoglicemiantes orais em dose máxima. Você percebe que precisa incluir a insulina na prescrição, mas já sabe de encontros prévios que o paciente tem resistência à medicação injetável. No rodízio de Medicina de Família e Comunidade do internato você desenvolveu habilidades para lidar da seguinte forma com a situação:
Na resistência à insulina, explore a experiência do paciente para construir um plano de cuidado factível e compartilhado.
Em casos de resistência do paciente à insulinização, a abordagem centrada na pessoa é fundamental. É preciso explorar as crenças, medos e experiências do paciente com a doença e o tratamento para entender sua resistência e, a partir daí, construir um plano terapêutico que seja aceitável e factível para ele.
O manejo do Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) na Atenção Primária à Saúde (APS) é um desafio complexo, especialmente quando o paciente apresenta controle glicêmico inadequado (HbA1c elevada) apesar do uso de múltiplas classes de hipoglicemiantes orais em dose máxima, indicando a necessidade de insulinização. A resistência do paciente à medicação injetável é uma barreira comum e exige do profissional de saúde não apenas conhecimento técnico, mas também habilidades avançadas de comunicação e uma abordagem centrada na pessoa. A abordagem centrada na pessoa reconhece que o paciente é o protagonista de seu cuidado e que suas crenças, valores e experiências influenciam diretamente a adesão ao tratamento. Em vez de simplesmente prescrever, o médico deve dedicar tempo para ouvir e explorar a experiência de adoecimento do paciente, compreendendo suas preocupações, medos e expectativas em relação à insulina. Essa escuta ativa e empática permite identificar as raízes da resistência e co-construir um plano terapêutico que seja factível e aceitável para o paciente, aumentando a probabilidade de sucesso. Ignorar a resistência do paciente ou tentar persuadi-lo sem compreender suas motivações pode levar à não adesão, frustração e quebra do vínculo terapêutico. A insulinização é uma etapa crucial no controle do DM2 avançado e deve ser apresentada de forma clara, desmistificando mitos e focando nos benefícios para a saúde do paciente. A colaboração com outros profissionais de saúde, como psicólogos e nutricionistas, pode ser útil, mas a primeira e mais importante etapa é sempre a construção de uma relação de confiança e a exploração individualizada da situação com o paciente.
A abordagem centrada na pessoa permite ao médico compreender as perspectivas, medos e crenças do paciente sobre a insulina e a doença. Ao explorar a experiência de adoecimento, o profissional pode identificar as barreiras para a adesão e, em conjunto com o paciente, construir um plano de tratamento mais alinhado às suas necessidades e valores, aumentando a probabilidade de aceitação e sucesso terapêutico.
As barreiras comuns incluem o medo de injeções, o estigma social associado à insulina (percebida como 'último recurso' ou sinal de falha), o receio de hipoglicemia, o impacto na rotina diária e a falta de compreensão sobre a doença e o papel da insulina. Experiências negativas prévias ou informações equivocadas também podem contribuir.
A equipe multidisciplinar, como o NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família), pode oferecer suporte valioso. Psicólogos podem ajudar a lidar com o impacto emocional da doença e a resistência ao tratamento, enquanto assistentes sociais podem abordar questões socioeconômicas que afetam a adesão. No entanto, a primeira abordagem deve ser sempre do médico, explorando a relação e a experiência do paciente diretamente.
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