HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2022
Paciente, 68 anos, gênero feminino, obesa, enfisematosa em Reabilitação Pulmonar. Tem artroplastia total de quadril direito, por isso é claudicante e as vezes sente dores no local. Também é hipertensa, diagnóstico recente em uso de Losartana 50mg 1 comprimido de manhã. Sofre de ansiedade generalizada mas sempre posterga o tratamento. Veio a consulta para avaliação geral de sua saúde, queixa-se de incontinência urinária, dispnéia aos mínimos esforços e dificuldade para perder peso. Mediante o exposto, qual seria sua primeira abordagem a essa paciente?
Abordagem inicial paciente idoso polipatológico → Escuta ativa e tempo para esgotar queixas, estabelecendo vínculo.
Em pacientes idosos com múltiplas comorbidades e queixas, a escuta ativa e a permissão para que o paciente expresse todas as suas preocupações são cruciais para estabelecer confiança e obter um histórico completo, evitando a fragmentação do cuidado e o foco apenas em sintomas isolados.
A primeira abordagem a um paciente idoso, especialmente com múltiplas comorbidades e queixas, é um pilar fundamental da prática médica. A geriatria e a clínica geral enfatizam a importância de uma anamnese abrangente e humanizada, onde o tempo dedicado à escuta ativa e à construção de um vínculo terapêutico pode ser tão valioso quanto qualquer exame complementar. Compreender o paciente em sua totalidade, e não apenas como um conjunto de doenças, é essencial para um plano de cuidados eficaz e centrado em suas necessidades. A escuta ativa permite que o médico capte não apenas os sintomas explícitos, mas também as preocupações subjacentes, medos e expectativas do paciente. Em um cenário de polipatologia, como o da questão, onde há incontinência, dispneia, dificuldade de perda de peso, hipertensão e ansiedade, dar espaço para que o paciente esgote suas queixas ajuda a priorizar os problemas sob a perspectiva do paciente e a identificar a queixa principal que mais o incomoda no momento. Isso evita a interrupção precoce e o foco em um único sintoma, que pode não ser a prioridade do paciente. Uma abordagem inicial inadequada, focando apenas em encaminhamentos ou prescrições sem uma compreensão completa, pode levar à insatisfação do paciente, à perda de informações cruciais e à fragmentação do cuidado. A construção de uma relação de confiança desde o primeiro contato é vital para a adesão ao tratamento e para o sucesso das intervenções a longo prazo, especialmente em condições crônicas que exigem acompanhamento contínuo.
A abordagem centrada no paciente idoso envolve ouvir atentamente suas queixas, permitir que ele expresse suas preocupações em seu próprio ritmo, e considerar o contexto biopsicossocial completo, não apenas os sintomas isolados.
A escuta ativa é crucial porque pacientes idosos frequentemente têm múltiplas comorbidades e queixas complexas. Dar-lhes tempo para esgotar suas preocupações ajuda a construir confiança, identificar prioridades e evitar diagnósticos incompletos ou fragmentados.
Evita-se a fragmentação do cuidado ao adotar uma visão holística, integrando as diversas queixas e comorbidades do paciente, e priorizando as intervenções em conjunto com ele, em vez de encaminhamentos múltiplos e desordenados.
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