PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2016
Mãe traz em consulta seu filho adolescente de 14 anos. Conta que este se encontra emagrecido, desinteressado na escola, e ela desconfia de uso de drogas porque recentemente anda com um amigo de 16 anos, que todos apontam na vizinhança como usuário e traficante na área. A mãe conta que o pai do adolescente já teve a experiência com álcool e drogas, por esse motivo ela está angustiada. O adolescente diz que tudo é exagero da mãe, implicância dela com os amigos dele. A abordagem mais apropriada para o caso nessa primeira consulta é:
Adolescente com suspeita de uso de drogas → Conversa individual, escuta ativa, vínculo e confidencialidade.
Na primeira consulta com um adolescente suspeito de uso de drogas, a abordagem mais eficaz é conversar individualmente com ele. Isso permite estabelecer um vínculo de confiança, garantir confidencialidade (com limites claros), e obter informações mais honestas sobre o padrão de uso e percepções do adolescente, essencial para um plano terapêutico.
A adolescência é um período de grandes transformações e vulnerabilidades, onde a experimentação de substâncias psicoativas pode ocorrer. A suspeita de uso de drogas em adolescentes exige uma abordagem médica cuidadosa e empática, visando a saúde integral do jovem. Fatores como histórico familiar de uso de substâncias e influência de pares aumentam o risco. A fisiopatologia do uso de substâncias na adolescência envolve aspectos neurobiológicos (cérebro em desenvolvimento), psicossociais (busca por identidade, pressão de grupo) e ambientais. O diagnóstico precoce e a intervenção são fundamentais para prevenir a progressão para dependência. Sinais como mudanças de comportamento, queda no rendimento escolar e isolamento social devem levantar suspeitas. A abordagem terapêutica inicial deve priorizar a construção de um vínculo de confiança com o adolescente, através de uma escuta ativa e confidencialidade. A entrevista motivacional é uma ferramenta eficaz para explorar a percepção do adolescente sobre o uso e seus planos futuros. O objetivo é reduzir danos, promover a saúde e, se necessário, encaminhar para tratamento especializado, sempre respeitando a autonomia do jovem.
A confidencialidade é crucial para que o adolescente se sinta seguro e confiante para compartilhar informações sensíveis, como o uso de substâncias, sem medo de julgamento ou retaliação dos pais, facilitando a adesão ao tratamento.
Comece com perguntas abertas, de forma não-julgadora, expressando preocupação e oferecendo um espaço seguro para ele falar sobre suas experiências e sentimentos, sem pressionar por confissões.
A confidencialidade pode ser quebrada em situações de risco iminente à vida do adolescente ou de terceiros, como ideação suicida grave, abuso sexual ou violência, sempre buscando envolver o adolescente na decisão, se possível.
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