Esôfago de Barrett: Tratamento da Displasia de Alto Grau

AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2025

Enunciado

Sobre o esôfago de Barrett, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Ablação por radiofrequência (RFA) pode erradicar displasia de alto grau.
  2. B) Esofagectomia está indicada diante do achado de adenocarcinoma.
  3. C) Uso de crioterapia está associado a elevado risco de estenose esofágica.
  4. D) Os pacientes possuem elevado risco absoluto de desenvolvimento de câncer.

Pérola Clínica

Esôfago de Barrett com displasia de alto grau → Ablação por radiofrequência (RFA) é tratamento eficaz.

Resumo-Chave

A ablação por radiofrequência (RFA) é um tratamento endoscópico eficaz e seguro para erradicar a metaplasia intestinal e a displasia (especialmente de alto grau) no esôfago de Barrett, reduzindo significativamente o risco de progressão para adenocarcinoma.

Contexto Educacional

O Esôfago de Barrett (EB) é uma condição pré-maligna caracterizada pela substituição do epitélio escamoso estratificado do esôfago distal por epitélio colunar metaplásico com células caliciformes (metaplasia intestinal especializada), resultante da exposição crônica ao refluxo gastroesofágico. É o principal fator de risco para o adenocarcinoma de esôfago, cuja incidência tem aumentado globalmente. A vigilância endoscópica com biópsias é fundamental para detectar a progressão da metaplasia para displasia e, subsequentemente, para adenocarcinoma. A displasia de alto grau (DAG) é um marcador crítico de risco e exige intervenção. A ablação por radiofrequência (RFA) é uma técnica endoscópica estabelecida e eficaz para erradicar a metaplasia intestinal e a displasia no EB, com altas taxas de sucesso e um perfil de segurança favorável. A RFA utiliza energia térmica para destruir o tecido metaplásico, permitindo a regeneração do epitélio escamoso normal. Para residentes, é importante saber que a esofagectomia, embora curativa para câncer invasivo, é um procedimento de alta morbimortalidade e não é a primeira escolha para displasia de alto grau ou adenocarcinoma precoce restrito à mucosa, onde terapias endoscópicas são preferidas. A crioterapia é uma alternativa à RFA, mas pode ter um risco ligeiramente maior de estenose em algumas séries. Além disso, o risco absoluto de câncer em pacientes com EB sem displasia é baixo, o que justifica a vigilância em vez de tratamentos invasivos imediatos. O manejo do EB é um campo em constante evolução, com foco na detecção precoce e tratamento minimamente invasivo.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da displasia de alto grau no esôfago de Barrett?

A displasia de alto grau (DAG) é considerada a lesão precursora mais avançada para o adenocarcinoma de esôfago em pacientes com Esôfago de Barrett. Sua identificação é crucial, pois indica um risco iminente de progressão para câncer invasivo, exigindo intervenção terapêutica.

Quando a esofagectomia é indicada no contexto do esôfago de Barrett?

A esofagectomia é indicada para o tratamento de adenocarcinoma esofágico invasivo. Para displasia de alto grau ou adenocarcinoma precoce restrito à mucosa, as terapias endoscópicas (como RFA ou ressecção endoscópica da mucosa) são geralmente preferidas devido à menor morbimortalidade.

Qual o risco absoluto de desenvolvimento de câncer em pacientes com esôfago de Barrett sem displasia?

O risco absoluto de desenvolvimento de adenocarcinoma em pacientes com esôfago de Barrett sem displasia é relativamente baixo, estimado em cerca de 0,1% a 0,5% ao ano. Por isso, a vigilância endoscópica é recomendada, mas a intervenção agressiva não é justificada nesses casos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo