AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2025
Sobre o esôfago de Barrett, assinale a alternativa correta.
Esôfago de Barrett com displasia de alto grau → Ablação por radiofrequência (RFA) é tratamento eficaz.
A ablação por radiofrequência (RFA) é um tratamento endoscópico eficaz e seguro para erradicar a metaplasia intestinal e a displasia (especialmente de alto grau) no esôfago de Barrett, reduzindo significativamente o risco de progressão para adenocarcinoma.
O Esôfago de Barrett (EB) é uma condição pré-maligna caracterizada pela substituição do epitélio escamoso estratificado do esôfago distal por epitélio colunar metaplásico com células caliciformes (metaplasia intestinal especializada), resultante da exposição crônica ao refluxo gastroesofágico. É o principal fator de risco para o adenocarcinoma de esôfago, cuja incidência tem aumentado globalmente. A vigilância endoscópica com biópsias é fundamental para detectar a progressão da metaplasia para displasia e, subsequentemente, para adenocarcinoma. A displasia de alto grau (DAG) é um marcador crítico de risco e exige intervenção. A ablação por radiofrequência (RFA) é uma técnica endoscópica estabelecida e eficaz para erradicar a metaplasia intestinal e a displasia no EB, com altas taxas de sucesso e um perfil de segurança favorável. A RFA utiliza energia térmica para destruir o tecido metaplásico, permitindo a regeneração do epitélio escamoso normal. Para residentes, é importante saber que a esofagectomia, embora curativa para câncer invasivo, é um procedimento de alta morbimortalidade e não é a primeira escolha para displasia de alto grau ou adenocarcinoma precoce restrito à mucosa, onde terapias endoscópicas são preferidas. A crioterapia é uma alternativa à RFA, mas pode ter um risco ligeiramente maior de estenose em algumas séries. Além disso, o risco absoluto de câncer em pacientes com EB sem displasia é baixo, o que justifica a vigilância em vez de tratamentos invasivos imediatos. O manejo do EB é um campo em constante evolução, com foco na detecção precoce e tratamento minimamente invasivo.
A displasia de alto grau (DAG) é considerada a lesão precursora mais avançada para o adenocarcinoma de esôfago em pacientes com Esôfago de Barrett. Sua identificação é crucial, pois indica um risco iminente de progressão para câncer invasivo, exigindo intervenção terapêutica.
A esofagectomia é indicada para o tratamento de adenocarcinoma esofágico invasivo. Para displasia de alto grau ou adenocarcinoma precoce restrito à mucosa, as terapias endoscópicas (como RFA ou ressecção endoscópica da mucosa) são geralmente preferidas devido à menor morbimortalidade.
O risco absoluto de desenvolvimento de adenocarcinoma em pacientes com esôfago de Barrett sem displasia é relativamente baixo, estimado em cerca de 0,1% a 0,5% ao ano. Por isso, a vigilância endoscópica é recomendada, mas a intervenção agressiva não é justificada nesses casos.
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