Trauma: Abertura de Vias Aéreas e Imobilização Cervical

HCB - Hospital de Amor de Barretos - Unidade Porto Velho (RO) — Prova 2020

Enunciado

Caso haja suspeita de trauma, indica-se a imobilização manual da coluna cervical. Está correto que: 

Alternativas

  1. A) Socorristas leigos podem realizar a manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo para vítimas com suspeita de lesão medular e que se sintam confiantes em realizar ventilações. 
  2. B) Socorristas leigos podem realizar a manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo para vítimas sem suspeita de lesão medular e que se sintam confiantes em realizar ventilações. 
  3. C) Socorristas leigos não podem realizar a manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo para vítimas sem suspeita de lesão medular e que se sintam confiantes em realizar ventilações. 
  4. D) Socorristas leigos podem realizar a manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo para vítimas com suspeita de lesão medular e mesmo que não consigam realizar ventilações. 

Pérola Clínica

Sem suspeita de lesão medular → Manobra inclinação cabeça-elevação queixo para abrir via aérea.

Resumo-Chave

Em vítimas de trauma sem suspeita de lesão medular, a manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo é a técnica preferencial para abrir as vias aéreas. Socorristas leigos confiantes em realizar ventilações devem ser encorajados a utilizá-la para garantir a oxigenação e ventilação adequadas.

Contexto Educacional

A abordagem inicial ao paciente traumatizado segue os princípios do Suporte Avançado de Vida no Trauma (ATLS), onde a prioridade é a avaliação e manejo das vias aéreas com controle da coluna cervical (A de Airway). A imobilização manual da coluna cervical é uma medida crucial em qualquer vítima de trauma com suspeita de lesão medular para prevenir danos secundários. A epidemiologia de lesões medulares mostra que a manipulação inadequada da coluna cervical pode agravar o quadro neurológico. Para a abertura das vias aéreas, a escolha da manobra depende da presença ou ausência de suspeita de lesão medular. Se não há suspeita, a manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo é eficaz e fácil de ser realizada, inclusive por socorristas leigos. Ela eleva a língua, que é a principal causa de obstrução de vias aéreas em pacientes inconscientes. No entanto, se houver qualquer indício de trauma cervical, a manobra de elevação da mandíbula (jaw thrust) deve ser empregada para minimizar o movimento da coluna cervical. É fundamental que socorristas, tanto profissionais quanto leigos, sejam treinados nessas técnicas. A questão aborda a importância de capacitar socorristas leigos para realizar ventilações, desde que se sintam confiantes, especialmente em situações onde a causa da parada cardiorrespiratória pode ser respiratória. A prioridade é sempre garantir a oxigenação e ventilação, e a escolha da manobra de abertura de vias aéreas deve ser feita de forma consciente e segura, considerando o risco de lesão cervical. Residentes devem dominar essas habilidades para a avaliação e manejo inicial de pacientes traumatizados.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença entre a manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo e a manobra de elevação da mandíbula (jaw thrust)?

A manobra de inclinação da cabeça e elevação do queixo é usada quando não há suspeita de lesão cervical, pois movimenta a coluna. A manobra de elevação da mandíbula (jaw thrust) é preferida quando há suspeita de lesão cervical, pois minimiza o movimento da coluna cervical, protegendo a medula.

Quando se deve suspeitar de lesão medular em um paciente traumatizado?

Deve-se suspeitar de lesão medular em vítimas de trauma de alta energia (quedas de altura, acidentes automobilísticos), trauma na cabeça, pescoço ou tronco, dor cervical, déficits neurológicos, alteração do nível de consciência, ou em pacientes intoxicados ou inconscientes sem causa aparente.

Socorristas leigos devem realizar ventilações em RCP?

Sim, socorristas leigos que se sentem confiantes e treinados devem realizar ventilações em RCP, especialmente em casos de parada cardíaca de origem respiratória (ex: afogamento, overdose). Se não se sentem confiantes, a compressão torácica contínua ainda é benéfica.

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