CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
A chamada aberração esférica refere-se a:
Aberração esférica = Raios periféricos focam em ponto diferente dos raios centrais.
A aberração esférica ocorre porque a periferia de uma lente esférica tem maior poder refrativo que o centro, impedindo a formação de um foco pontual único.
A aberração esférica é classificada como uma aberração de alta ordem (4ª ordem, polinômio de Zernike Z4,0). Diferente das aberrações de baixa ordem (miopia, hipermetropia e astigmatismo), ela não pode ser totalmente corrigida com lentes esferocilíndricas convencionais. Na prática oftalmológica moderna, a compreensão da aberração esférica é crucial para a cirurgia de catarata e cirurgia refrativa. Lentes intraoculares asféricas são frequentemente escolhidas para proporcionar uma visão de melhor qualidade, simulando o cristalino jovem. Além disso, após cirurgias refrativas a laser (como o LASIK convencional), a aberração esférica positiva da córnea pode aumentar devido ao aplainamento central, o que justifica o desenvolvimento de perfis de ablação 'wavefront-optimized' ou 'wavefront-guided' para preservar a asfericidade corneana.
A aberração esférica ocorre devido à geometria das superfícies refrativas do olho (córnea e cristalino). Em uma superfície perfeitamente esférica, os raios de luz que incidem na periferia (raios marginais) sofrem uma refração mais acentuada do que os raios que passam pelo centro (raios paraxiais). Isso faz com que os raios periféricos convirjam para um ponto focal mais próximo da lente do que os raios centrais. No olho humano, a córnea possui naturalmente uma aberração esférica positiva, que é parcialmente compensada pela aberração esférica negativa do cristalino em pacientes jovens.
O tamanho pupilar tem um impacto direto na magnitude da aberração esférica percebida. Em condições de alta luminosidade (miose), a pupila bloqueia os raios periféricos, permitindo que apenas os raios centrais atinjam a retina, o que reduz a aberração esférica e aumenta a profundidade de foco. Em condições de baixa luminosidade (midríase), a abertura pupilar expõe a periferia da córnea e do cristalino, aumentando significativamente as aberrações de alta ordem, incluindo a esférica, o que pode causar halos e redução da sensibilidade ao contraste à noite.
As lentes asféricas são projetadas com uma curvatura que muda gradualmente do centro para a periferia (achatamento periférico). Esse design compensa a tendência natural dos raios marginais de focarem precocemente, direcionando todos os raios de luz para um único ponto focal comum. Na oftalmologia, lentes de contato asféricas e lentes intraoculares (LIOs) asféricas são utilizadas para melhorar a qualidade visual e a sensibilidade ao contraste, especialmente em condições mesópicas, neutralizando a aberração esférica positiva da córnea.
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