CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2019
As figuras abaixo ilustram dois sistemas ópticos convergentes: ideal (A) e com um tipo de aberração óptica (B). Assinale a alternativa que identifica o tipo de aberração ilustrada na figura B.
Aberração esférica = Raios periféricos convergem antes dos raios centrais.
A aberração esférica ocorre porque a periferia de uma lente esférica tem maior poder refrativo que o centro, criando múltiplos pontos de foco.
As aberrações ópticas são divididas em baixa ordem (miopia, hipermetropia e astigmatismo) e alta ordem (como coma, trefoil e aberração esférica). A aberração esférica é a única aberração de alta ordem que ocorre em raios de luz que incidem paralelamente ao eixo óptico. Em sistemas ópticos ideais, todos os raios deveriam convergir para um único ponto focal. No entanto, em lentes esféricas simples, o aumento do ângulo de incidência na periferia leva a uma refração excessiva. Este conceito é fundamental para entender por que pacientes com pupilas largas (midríase) frequentemente queixam-se de piora da qualidade visual e halos ao redor da luz à noite, quando os raios periféricos não são bloqueados pela íris.
A aberração esférica é uma imperfeição óptica que ocorre quando raios de luz paralelos que incidem na periferia de uma lente esférica convergem para um foco diferente (geralmente mais próximo da lente) do que os raios que passam pelo centro. Isso acontece porque a curvatura de uma superfície esférica não é ideal para focar todos os raios em um único ponto. O resultado é uma imagem borrada, onde o ponto de melhor foco é substituído por um 'círculo de menor confusão'.
O sistema óptico ocular possui mecanismos naturais para reduzir a aberração esférica. A córnea é 'prolata' (mais plana na periferia do que no centro), e o cristalino possui um gradiente de índice de refração (maior no núcleo do que no córtex). Além disso, a pupila atua como um diafragma, bloqueando os raios periféricos mais aberrantes. Com o envelhecimento e mudanças no cristalino, essa compensação pode ser perdida, aumentando as queixas visuais noturnas.
Na cirurgia de catarata e refrativa, a aberração esférica é um fator crucial. Lentes intraoculares (LIOs) modernas são frequentemente desenhadas com superfícies asféricas para compensar a aberração esférica positiva natural da córnea, melhorando a sensibilidade ao contraste, especialmente em condições de baixa luminosidade (visão mesópica). Da mesma forma, tratamentos de laser personalizados visam minimizar a indução de aberrações de alta ordem para preservar a qualidade visual.
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