CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019
Um paciente pseudofácico com lente intraocular monofocal enxerga um ponto luminoso azul em foco na retina. Caso este ponto luminoso mude para a cor vermelha, mantendo-se a mesma distância entre o ponto e o olho, o que acontecerá?
Luz azul (curta) foca na frente da vermelha (longa) → para focar o vermelho, use lente positiva.
Devido à aberração cromática longitudinal, a luz vermelha sofre menos refração que a azul; se o azul está em foco, o vermelho focará atrás da retina, exigindo convergência adicional.
A óptica física é um pilar da oftalmologia. A aberração cromática é uma característica intrínseca de quase todos os sistemas de lentes simples. No olho humano, o pigmento macular (luteína e zeaxantina) ajuda a filtrar a luz azul, reduzindo o impacto dessa aberração na fóvea e protegendo contra danos actínicos. Em pacientes pseudofácicos, a escolha do material da lente intraocular (LIO) influencia a quantidade de aberração cromática, medida pelo Número de Abbe. Materiais com baixo número de Abbe apresentam maior dispersão cromática. Compreender esses conceitos ajuda o cirurgião a entender por que alguns pacientes queixam-se de 'halos coloridos' ou visão levemente borrada mesmo com a refração plana em testes de consultório.
A aberração cromática longitudinal ocorre porque o índice de refração dos meios oculares (córnea, cristalino ou LIO) varia de acordo com o comprimento de onda da luz. Comprimentos de onda mais curtos (como o azul, ~450nm) sofrem uma refração mais forte e convergem mais cedo, focando à frente de comprimentos de onda mais longos (como o vermelho, ~650nm). Em um olho emetrope médio, a diferença de foco entre o azul e o vermelho pode chegar a cerca de 2,0 dioptrias.
Se o ponto azul está perfeitamente em foco na retina, isso significa que o sistema óptico do olho tem poder suficiente para convergir a luz azul exatamente no plano foveal. Como a luz vermelha é menos refratada pelo mesmo sistema, seus raios convergirão em um ponto posterior à retina (foco hipermetrópico). Para trazer esse foco para a frente (para a retina), é necessário adicionar poder convergente ao sistema, o que é feito através de uma lente positiva (convergente).
Se o ponto luminoso vermelho for trazido para mais perto do olho, os raios que atingem a córnea tornam-se mais divergentes. Isso faria com que o ponto de foco se deslocasse ainda mais para trás da retina, piorando o desfoque. Para restabelecer o foco de um objeto próximo sem mudar a lente, o olho precisaria realizar acomodação (aumentar seu poder positivo), o que não é possível de forma natural em um paciente pseudofácico com LIO monofocal.
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