Isquemia Mesentérica Aguda: Diagnóstico e Manejo no Idoso

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2020

Enunciado

Paciente idosa (85 anos ) relata que há 3 horas está apresentando dor intensa em região Peri-umbilical, que se iniciou subitamente. Refere antecedente de apendicectomia quando era adolescente. Ao exame clínico : Regular estado geral , pulsos periféricos irregulares. Taquicárdica, com ritmo cardíaco irregular, e sopro 3+ sistólico em foco mitral. Ausculta pulmonar sem alterações. Abdômen flácido, discretamente distendido, ruídos diminuídos. Presença de cicatriz de laparotomia mediana infra umbilical. Qual a propedêutica imediata mais adequada , e sua principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Radiografia simples de abdômen / Obstrução intestinal
  2. B) Colonoscopia / Colite Isquêmica
  3. C) Angiotomografia abdominal /Abdome agudo vascular
  4. D) Amilasemia +Ultrassonografia de abdômen / Pancreatite aguda biliar

Pérola Clínica

Idoso + dor abdominal súbita desproporcional + FA → suspeitar de isquemia mesentérica. Angio-TC é padrão ouro.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos com dor abdominal súbita e intensa, especialmente se houver fatores de risco cardiovasculares como fibrilação atrial, a isquemia mesentérica aguda deve ser a principal hipótese. A dor desproporcional aos achados do exame físico é um sinal clássico, e a angiotomografia abdominal é o exame de escolha para confirmação diagnóstica.

Contexto Educacional

O abdome agudo vascular, particularmente a isquemia mesentérica aguda, é uma emergência médica grave com alta morbimortalidade, especialmente em pacientes idosos. A suspeita clínica é fundamental, pois o diagnóstico precoce e a intervenção são cruciais para a sobrevida. A apresentação clássica envolve dor abdominal súbita, intensa e difusa, frequentemente periumbilical, que é notavelmente desproporcional aos achados do exame físico abdominal, que pode ser inicialmente brando. Pacientes idosos com fatores de risco cardiovasculares, como fibrilação atrial (que predispõe à embolia), insuficiência cardíaca ou doença aterosclerótica, estão em maior risco. A fibrilação atrial, como no caso da paciente, é um forte indicativo de embolia arterial mesentérica superior. A propedêutica imediata mais adequada é a angiotomografia abdominal com contraste, que permite a visualização direta da oclusão vascular, a extensão da isquemia e a identificação de sinais de sofrimento intestinal. Outros exames, como radiografia simples, são de baixo valor diagnóstico inicial. O tratamento envolve a revascularização urgente, seja por via endovascular ou cirúrgica, para restaurar o fluxo sanguíneo e prevenir a necrose intestinal, que pode levar a sepse e falência de múltiplos órgãos. O reconhecimento rápido dos sinais e sintomas, juntamente com a escolha do exame diagnóstico correto, é um diferencial na prática clínica e um conhecimento essencial para residentes de cirurgia, clínica médica e emergência.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para isquemia mesentérica aguda?

Os sinais de alerta incluem dor abdominal súbita e intensa, frequentemente periumbilical, que é desproporcional aos achados do exame físico. Fatores de risco como fibrilação atrial, doença cardíaca ou vascular periférica aumentam a suspeita.

Por que a angiotomografia abdominal é o exame de escolha para isquemia mesentérica?

A angiotomografia abdominal com contraste permite visualizar diretamente a oclusão dos vasos mesentéricos (arteriais ou venosos), identificar sinais de isquemia intestinal (espessamento da parede, pneumatose) e descartar outras causas de dor abdominal aguda.

Quais são as principais causas de isquemia mesentérica aguda?

As principais causas são embolia arterial mesentérica (geralmente de origem cardíaca, como na fibrilação atrial), trombose arterial mesentérica (em pacientes com aterosclerose) e isquemia mesentérica não oclusiva (associada a estados de baixo fluxo).

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