SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022
Um homem de 78 anos de idade, hipertenso e tabagista, com antecedente de infarto agudo do miocárdio há cinco anos, tratado por angioplastia, chegou ao pronto-socorro com dor abdominal difusa de início há uma hora. Ao exame físico, apresentava-se em regular estado geral, muito ansioso, consciente, orientado, com frequência cardíaca de 110 bpm, pressão arterial de 160 x 100 mmHg e tempo de enchimento capilar de 2 s. À palpação, o abdome mostrava-se doloroso difusamente, mas sem sinais de peritonite. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável.
Idoso, fatores de risco CV, dor abdominal difusa desproporcional ao exame físico → Abdome agudo vascular (isquemia mesentérica).
O paciente idoso com múltiplos fatores de risco cardiovascular (hipertensão, tabagismo, IAM prévio) que apresenta dor abdominal difusa de início súbito, sem sinais de peritonite inicial, tem um quadro altamente sugestivo de abdome agudo vascular, mais especificamente isquemia mesentérica aguda. A dor é frequentemente desproporcional aos achados do exame físico inicial.
O abdome agudo vascular, particularmente a isquemia mesentérica aguda, é uma condição grave e de alta mortalidade, especialmente em pacientes idosos com múltiplos fatores de risco cardiovascular. É crucial para residentes e emergencistas manter um alto índice de suspeição, pois o diagnóstico precoce é fundamental para a sobrevida. A fisiopatologia envolve a redução crítica do fluxo sanguíneo para o intestino, seja por oclusão arterial (embolia ou trombose), oclusão venosa ou estados de baixo fluxo (isquemia mesentérica não oclusiva). Os fatores de risco incluem aterosclerose generalizada, arritmias cardíacas (como fibrilação atrial) e história de eventos trombóticos. A dor abdominal difusa, muitas vezes desproporcional aos achados do exame físico, é a marca registrada. O diagnóstico é desafiador e requer exames de imagem como angiotomografia de abdome. O tratamento é emergencial e pode envolver revascularização cirúrgica ou endovascular, além de medidas de suporte. O atraso no diagnóstico e tratamento leva à necrose intestinal, perfuração e sepse, com prognóstico sombrio. A vigilância para essa condição em pacientes de risco é um ponto chave para a prática clínica e para provas.
Os principais fatores de risco incluem idade avançada, aterosclerose (evidenciada por hipertensão, tabagismo, doença coronariana prévia, IAM), fibrilação atrial, insuficiência cardíaca e estados de hipercoagulabilidade.
A isquemia mesentérica aguda tipicamente se apresenta com dor abdominal intensa e difusa, frequentemente desproporcional aos achados do exame físico. Náuseas, vômitos e diarreia podem ocorrer. Sinais de peritonite surgem tardiamente com a necrose intestinal.
O diagnóstico diferencial é amplo e inclui outras causas de abdome agudo (inflamatório, obstrutivo, perfurativo, hemorrágico), além de condições não abdominais como IAM inferior ou cetoacidose diabética. A história clínica e os fatores de risco são cruciais para direcionar a investigação.
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