Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019
Um paciente de 45 anos de idade apresenta dor epigástrica súbita e vômitos há doze horas, com piora progressiva. Ao exame físico, estava em regular estado geral, pálido e taquicárdico, com dor à palpação em todo o abdome e defesa muscular. Realizou radiografia de tórax com cúpulas, sem alterações. Considerando esse caso hipotético, assinale a alternativa correta.
Dor epigástrica súbita + defesa muscular generalizada + pneumoperitôneo = Abdome agudo perfurativo.
O quadro clínico de dor epigástrica súbita, vômitos e defesa muscular generalizada sugere um abdome agudo perfurativo, com peritonite. A ausência de pneumoperitôneo na radiografia simples não exclui o diagnóstico, sendo a tomografia computadorizada mais sensível para detectá-lo.
O abdome agudo perfurativo é uma emergência cirúrgica caracterizada pela ruptura de uma víscera oca, resultando no extravasamento de conteúdo gastrointestinal para a cavidade peritoneal e subsequente peritonite. A causa mais comum é a úlcera péptica perfurada, mas outras etiologias incluem diverticulite perfurada, apendicite perfurada e perfurações iatrogênicas. O quadro clínico é de dor abdominal súbita e intensa, com sinais de irritação peritoneal generalizada. O diagnóstico é primariamente clínico, com a história e o exame físico sendo cruciais. A presença de pneumoperitôneo (ar livre na cavidade abdominal) é o sinal radiológico mais característico de perfuração. Embora a radiografia simples de tórax e abdome possa mostrar o pneumoperitôneo (sinal da foice), a tomografia computadorizada é mais sensível e pode identificar a localização da perfuração e outras complicações. O tratamento é cirúrgico e emergencial, visando o fechamento da perfuração e a lavagem da cavidade peritoneal para controle da infecção. A estabilização hemodinâmica, antibioticoterapia de amplo espectro e suporte intensivo são fundamentais no pré e pós-operatório para reduzir a morbidade e mortalidade associadas a essa condição grave.
Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intensa, geralmente em facada, com irradiação para os ombros, acompanhada de náuseas, vômitos e sinais de peritonite, como defesa muscular e descompressão brusca dolorosa.
A radiografia de tórax tem sensibilidade limitada para detectar pequenas quantidades de ar livre. Fatores como a posição do paciente, o volume de ar extravasado e a rapidez da realização do exame podem influenciar a detecção do pneumoperitôneo.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, analgesia, antibioticoterapia de amplo espectro e solicitação de exames de imagem, como a tomografia de abdome, para confirmar a perfuração e planejar a intervenção cirúrgica de emergência.
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