SMS São José do Rio Preto - Secretaria Municipal de Saúde (SP) — Prova 2024
Uma paciente de 28 anos de idade relata uso frequente de antibiótico oral e anti-inflamatório não esteroidal devido quadro recorrente de inflamação de orofaringe. Refere que conseguereceita com amiga que trabalha na UPA, porém compareceu em UPA após ter utilizado uma semana de medicamentos e com queixa de dor abdominal de início súbito, há poucas horas, em grande intensidade logo após alimentação. Refere ainda aumento de volume abdominal e parada na eliminação de gases. Ao exame: fácies de dor, temperatura axilar de 38.5 °C, hipocorada +/4+, pressão arterial 100 x 60 mmHg, pulso 110 bpm, frequência respiratória 32 RPM. Desidratada ++/+4. Abdome distendido, doloroso a percussão com perda da macicez na área hepática. Hipertimpanismo difuso. Ruídos hidroaéreos abolidos. Sem outros achados. O principal diagnóstico sindrômico é:
Abdome agudo perfurativo → Dor súbita intensa, sinais de peritonite (perda macicez hepática, ruídos abolidos), história de AINEs.
A dor abdominal súbita e intensa, associada a sinais de irritação peritoneal como a perda da macicez hepática (indicando pneumoperitônio) e ruídos hidroaéreos abolidos, é altamente sugestiva de abdome agudo perfurativo, frequentemente desencadeado por úlcera péptica perfurada, especialmente com uso de AINEs.
O abdome agudo perfurativo é uma emergência cirúrgica grave, caracterizada pela perfuração de uma víscera oca abdominal, resultando em extravasamento de conteúdo gastrointestinal para a cavidade peritoneal e consequente peritonite. É uma das principais causas de mortalidade em pacientes com abdome agudo, exigindo diagnóstico rápido e intervenção cirúrgica imediata para evitar complicações sistêmicas como sepse e choque. A fisiopatologia envolve a irritação química e bacteriana do peritônio, levando a uma resposta inflamatória generalizada. As causas mais comuns incluem úlcera péptica perfurada (especialmente em usuários de AINEs), diverticulite perfurada, apendicite perfurada e trauma. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história de dor abdominal súbita e intensa, associada a sinais de irritação peritoneal como defesa e descompressão brusca dolorosa, além de achados como perda da macicez hepática e ruídos hidroaéreos abolidos. A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica do paciente, analgesia, antibioticoterapia de amplo espectro e, fundamentalmente, a indicação cirúrgica para reparo da perfuração e lavagem da cavidade peritoneal. O prognóstico depende diretamente da rapidez do diagnóstico e da intervenção, sendo crucial para residentes reconhecerem prontamente este quadro e iniciarem o manejo adequado.
Os sinais mais importantes incluem dor abdominal súbita e intensa, distensão abdominal, febre, taquicardia, hipotensão, e ao exame físico, perda da macicez hepática (sinal de Jobert), hipertimpanismo difuso e ruídos hidroaéreos abolidos, indicando peritonite.
O uso frequente de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) é um fator de risco significativo para o desenvolvimento de úlceras pépticas, que podem complicar com perfuração, levando a um quadro de abdome agudo perfurativo.
A perda da macicez hepática à percussão (sinal de Jobert) indica a presença de ar livre na cavidade peritoneal (pneumoperitônio), que é um achado patognomônico de perfuração de víscera oca, como estômago ou intestino.
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