Abdome Agudo Perfurativo: Diagnóstico e Conduta

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026

Enunciado

Uma paciente de 44 anos de idade foi atendida no pronto-socorro com história de dor abdominal súbita, intensa, em região epigástrica, irradiando para dorso. Referiu piora progressiva e náuseas. Ao exame físico, a paciente mostrava-se ansiosa; o abdome com defesa involuntária difusa e dor acentuada à palpação; FC = 124 bpm, FR = 24 irpm, PA = 104x68 mmHg e temperatura = 38,0°C. A radiografia de tórax em ortostase evidenciou presença de ar livre subdiafragmático. Qual é a conduta mais adequada diante desse quadro?

Alternativas

  1. A) Administração exclusiva de inibidores de bomba de prótons e observação.
  2. B) Realização de tomografia apenas após estabilização hemodinâmica completa.
  3. C) Tentativa de manejo clínico por 48 horas antes de decidir por cirurgia.
  4. D) Indicação de cirurgia emergencial após reposição volêmica e antibioticoterapia de amplo espectro.

Pérola Clínica

Dor súbita + abdome em tábua + pneumoperitônio = Laparotomia/Laparoscopia de Emergência.

Resumo-Chave

O diagnóstico de abdome agudo perfurativo é clínico-radiológico. A presença de ar livre subdiafragmático confirma a perfuração de víscera oca, exigindo estabilização rápida e intervenção cirúrgica imediata.

Contexto Educacional

O abdome agudo perfurativo, frequentemente causado por úlcera péptica gastroduodenal, diverticulite aguda ou neoplasias, representa uma das situações mais críticas na cirurgia geral. A dor epigástrica súbita que se torna difusa é característica da peritonite química inicial (pelo suco gástrico) que evolui rapidamente para peritonite bacteriana. O exame físico clássico revela o 'abdome em tábua' devido à contratura reflexa da musculatura abdominal. O sinal de Jobert (perda da macicez hepática à percussão) é um achado clínico que sugere pneumoperitônio. A conduta definitiva visa o controle da fonte de contaminação (geralmente rafia da lesão com ou sem proteção de epiplon - manobra de Graham) e a lavagem exaustiva da cavidade peritoneal para reduzir a carga bacteriana e mediadores inflamatórios.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do raio-x de tórax no abdome agudo?

O raio-x de tórax em ortostase (em pé) é o exame de imagem inicial mais importante na suspeita de abdome agudo perfurativo. Ele é mais sensível que o raio-x de abdome para detectar o pneumoperitônio, que se manifesta como uma imagem radiolúcida (preta) em forma de crescente logo abaixo das cúpulas diafragmáticas. A presença desse sinal indica que houve escape de ar de uma víscera oca (como estômago, duodeno ou cólon) para a cavidade peritoneal. Em pacientes que não conseguem ficar em pé, pode-se realizar o raio-x de abdome em decúbito lateral esquerdo com raios horizontais (incidência de Müller), onde o ar será visualizado entre o fígado e a parede abdominal.

Como deve ser a estabilização pré-operatória nesses casos?

Antes da indução anestésica e da cirurgia, o paciente com abdome agudo perfurativo deve ser estabilizado hemodinamicamente. Isso inclui: 1) Reposição volêmica vigorosa com cristaloides para corrigir o choque distributivo/séptico; 2) Início imediato de antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir flora entérica (Gram-negativos e anaeróbios); 3) Passagem de sonda nasogástrica para descompressão gástrica, reduzindo o extravasamento de conteúdo para o peritônio; 4) Monitorização de débito urinário e oxigenação. A cirurgia não deve ser atrasada desnecessariamente, mas operar um paciente em choque não compensado aumenta drasticamente a mortalidade perioperatória.

Existe tratamento não cirúrgico para úlcera perfurada?

Embora a cirurgia seja o padrão-ouro, existe o protocolo de Taylor para casos selecionados de úlcera péptica perfurada. Ele consiste em tratamento conservador com aspiração gástrica contínua, antibióticos, IBP e hidratação. No entanto, essa abordagem só é considerada em pacientes com mais de 24 horas de evolução, que estão clinicamente estáveis, sem sinais de peritonite generalizada e onde exames contrastados mostram que a perfuração já foi bloqueada por órgãos adjacentes (perfuração tamponada). No caso da questão, a dor é súbita, intensa e há sinais de irritação peritoneal difusa e instabilidade (taquicardia), o que torna a cirurgia mandatória e urgente.

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