HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2025
Mulher de 32 anos deu entrada em unidade de pronto atendimento com quadro de dor abdominal de início súbito, em facada, há 40 minutos, intensa; inicialmente em epigástrio e posteriormente irradiou-se para todo o abdome, associada a náuseas sem vômitos. Refere ser portadora de Lúpus, em uso de corticoides e anti-inflamatórios. Monitorização revela estabilidade hemodinâmica. Ao exame clínico, o abdome estava rígido e com ausência de ruídos hidroaéreos. A radiografia de abdome (posição ortostática) está demonstrada a seguir.(Arquivo pessoal; imagem usada com autorização)A conduta mais indicada para essa paciente deverá ser
Dor abdominal súbita em facada + abdome rígido + pneumoperitônio → Perfuração de víscera oca = Laparoscopia exploratória.
A presença de dor abdominal súbita e intensa, associada a um abdome rígido e ausência de ruídos hidroaéreos, sugere fortemente um abdome agudo perfurativo. A radiografia de abdome em ortostase, se positiva para pneumoperitônio, confirma a perfuração de víscera oca, sendo a videolaparoscopia a conduta mais indicada para diagnóstico e tratamento definitivo.
O abdome agudo perfurativo é uma emergência cirúrgica grave, caracterizada pela perfuração de uma víscera oca, resultando em extravasamento de conteúdo gastrointestinal para a cavidade peritoneal. A incidência varia conforme a etiologia, sendo a úlcera péptica perfurada a causa mais comum. É crucial o reconhecimento rápido para evitar complicações como peritonite generalizada e sepse, que aumentam significativamente a morbimortalidade. A história clínica de dor súbita e intensa, associada a fatores de risco como uso de AINES ou corticoides, deve levantar alta suspeita. A fisiopatologia envolve a ruptura da parede de um órgão oco, como estômago ou intestino, liberando ar e conteúdo contaminado na cavidade abdominal. O diagnóstico é primariamente clínico, com o exame físico revelando um abdome rígido e doloroso à palpação. A radiografia de abdome em ortostase é fundamental para detectar pneumoperitônio (ar subdiafragmático), um sinal patognomônico de perfuração. Em casos duvidosos, a tomografia computadorizada pode ser útil, mas não deve atrasar a conduta em pacientes com quadro clínico claro. O tratamento definitivo é cirúrgico, visando fechar a perfuração e realizar a limpeza da cavidade abdominal. A videolaparoscopia é a abordagem de escolha, por ser menos invasiva, permitir uma recuperação mais rápida e oferecer excelente visualização. Em casos de instabilidade hemodinâmica ou contraindicações à laparoscopia, a laparotomia exploratória é a alternativa. O manejo pós-operatório inclui antibioticoterapia de amplo espectro, suporte hemodinâmico e controle da dor.
Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intensa, frequentemente descrita como em facada, que se generaliza. Ao exame físico, observa-se abdome rígido (em tábua), defesa involuntária e ausência ou diminuição dos ruídos hidroaéreos.
A videolaparoscopia permite a confirmação diagnóstica da perfuração, a identificação da sua causa e o tratamento cirúrgico minimamente invasivo. É superior a exames de imagem para a resolução definitiva e exploração da cavidade abdominal.
Fatores de risco incluem uso crônico de anti-inflamatórios não esteroides (AINES) e corticoides, história de úlcera péptica, infecção por H. pylori, tabagismo, alcoolismo e condições como Lúpus Eritematoso Sistêmico que podem predispor a úlceras ou vasculites.
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