SMS Goiânia - Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (GO) — Prova 2020
Paciente relata que há 1 dia após a ingesta acidental de espinho de peixe se encontra com dor abdominal difusa com descompressão dolorosa, que não melhora com analgésicos, nega febre, vômitos, outras patologias e uso de outros medicamentos. Pa : 120/90 mmHg, FC: 98 bpm, SaO2: 94%. Observe a imagem e proceda com a conduta.
Ingestão corpo estranho + dor abdominal difusa + descompressão dolorosa → Abdome agudo perfurativo = Laparotomia exploradora.
A ingestão de corpos estranhos pontiagudos, como espinhos de peixe, pode levar à perfuração do trato gastrointestinal, resultando em peritonite. A presença de dor abdominal difusa com descompressão dolorosa (sinal de irritação peritoneal) é um forte indicativo de abdome agudo perfurativo, que exige intervenção cirúrgica imediata.
A ingestão acidental de corpos estranhos é um evento comum, mas a perfuração do trato gastrointestinal é uma complicação grave e potencialmente fatal, especialmente com objetos pontiagudos como espinhos de peixe. O abdome agudo perfurativo é uma emergência cirúrgica caracterizada pela extravasamento de conteúdo gastrointestinal para a cavidade peritoneal, levando a uma peritonite química e, posteriormente, bacteriana. É crucial para o residente reconhecer rapidamente os sinais e sintomas para uma intervenção oportuna. A apresentação clínica inclui dor abdominal intensa e difusa, defesa abdominal e descompressão dolorosa, que são sinais clássicos de irritação peritoneal. Embora exames de imagem como radiografias e tomografia computadorizada possam auxiliar na localização do corpo estranho e na detecção de pneumoperitônio, a presença de sinais clínicos de peritonite, independentemente dos achados radiológicos iniciais, é o que dita a urgência da intervenção. A estabilidade hemodinâmica inicial não exclui a necessidade de cirurgia, pois a peritonite pode progredir rapidamente. A conduta imediata diante da suspeita de abdome agudo perfurativo é a laparotomia exploradora. Este procedimento permite a identificação e o reparo da perfuração, a remoção do corpo estranho e a lavagem da cavidade abdominal para minimizar a contaminação. A demora no tratamento aumenta significativamente a morbimortalidade devido ao risco de sepse, choque e falência de múltiplos órgãos. O manejo pós-operatório inclui antibioticoterapia de amplo espectro e suporte intensivo, conforme necessário.
Sinais de alarme incluem dor abdominal intensa e persistente, dor à descompressão, defesa abdominal, febre, taquicardia e sinais de sepse. A presença de irritação peritoneal é um indicativo crítico.
A laparotomia exploradora permite identificar e reparar a perfuração, remover o corpo estranho e realizar a limpeza da cavidade abdominal para controlar a peritonite, prevenindo complicações graves como sepse e falência de múltiplos órgãos.
A conduta expectante em uma perfuração intestinal pode levar à progressão da peritonite, formação de abscessos, sepse generalizada, choque séptico e, em última instância, à morte do paciente devido à contaminação da cavidade abdominal.
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