INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012
Uma mulher com 31 anos de idade procurou atendimento de urgência relatando um quadro de dor abdominal de início abrupto, difusa, contínua, intensa, com duração de cerca de seis horas, acompanhada de vômitos. Referiu também que tem utilizado diclofenaco de sódio, 50 mg de 8/8 horas, há aproximadamente um mês, para tratamento de lombalgia. Ao exame físico: frequência cardíaca = 120 bpm, pressão arterial = 90 x 60 mmHg, temperatura axilar = 38,2°C. Ao exame do abdome, verifica-se a presença de aumento da tensão da parede abdominal, com dor intensa e difusa à percussão e à palpação superficial, dificultando a palpação profunda. Ruídos hidroaéreos diminuídos. O exame complementar mais indicado para a investigação diagnóstica inicial da paciente é a:
Dor súbita + AINEs + Abdome em tábua → RX de tórax/abdome (Pneumoperitônio).
Em pacientes com suspeita de abdome agudo perfurativo por úlcera péptica (uso de AINEs), a radiografia de tórax em ortostase é o exame inicial para detectar ar livre subdiafragmático.
O abdome agudo perfurativo é uma emergência cirúrgica que requer diagnóstico rápido. A história clínica de uso crônico de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) é um fator de risco clássico para úlcera péptica perfurada. O exame físico revela o 'abdome em tábua' devido à peritonite química inicial que evolui para bacteriana. A propedêutica armada inicial deve ser rápida e acessível, sendo a rotina de abdome agudo (RX de tórax em ortostase, RX de abdome em decúbito e ortostase) o padrão-ouro inicial para confirmar o pneumoperitônio, presente em cerca de 75-80% dos casos.
O RX de tórax em pé é mais sensível que o de abdome para detectar pequenas quantidades de ar livre (pneumoperitônio) abaixo das cúpulas diafragmáticas, pois o ar tende a subir para a porção mais alta da cavidade peritoneal.
Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intensa ('em facada'), sinais de irritação peritoneal como defesa involuntária e descompressão dolorosa, além do desaparecimento da macicez hepática à percussão (sinal de Jobert).
Os AINEs inibem a enzima COX-1, reduzindo a síntese de prostaglandinas que protegem a mucosa gástrica. Isso aumenta a vulnerabilidade ao ácido clorídrico, podendo levar à formação de úlceras agudas que podem complicar com hemorragia ou perfuração.
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