Abdome Agudo Perfurativo: Manejo de Úlceras Gástricas

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 34 anos de idade foi ao pronto-socorro por dor abdominal de forte intensidade há duas horas. No exame físico de entrada, apresentava abdome em tábua. Realizou radiografia de tórax, que mostrou cúpulas com presença de pneumoperitônio. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta em relação ao abdome agudo perfurativo.

Alternativas

  1. A) Nunca é possível tratar abdome agudo perfurativo por videolaparoscopia.
  2. B) Nas úlceras gástricas perfuradas maiores e muito infiltrativas, a conduta mandatória é realizar epiloplastia a Graham.
  3. C) Nas úlceras duodenais perfuradas extensas, o tratamento de escolha é a duodenopancreatectomia parcial.
  4. D) Nunca se pode fazer gastrectomia no abdome agudo perfurativo, devido ao alto risco de fístula duodenal.
  5. E) Sempre se deve fazer gastrectomia nas úlceras gástricas perfuradas maiores de 2 cm com suspeita tumoral.

Pérola Clínica

Úlcera gástrica perfurada > 2 cm com suspeita tumoral → Gastrectomia é a conduta preferencial.

Resumo-Chave

O abdome agudo perfurativo, evidenciado por pneumoperitônio e abdome em tábua, exige intervenção cirúrgica. Enquanto úlceras duodenais perfuradas geralmente são tratadas com reparo simples (epiloplastia de Graham), úlceras gástricas perfuradas, especialmente se maiores que 2 cm e com suspeita de malignidade, demandam ressecção (gastrectomia) para diagnóstico histopatológico e tratamento oncológico.

Contexto Educacional

O abdome agudo perfurativo é uma emergência cirúrgica caracterizada por dor abdominal súbita e intensa, abdome em tábua ao exame físico e, frequentemente, pneumoperitônio na radiografia. A causa mais comum é a perfuração de úlcera péptica. O tratamento é cirúrgico, visando fechar a perfuração e controlar a contaminação. A distinção entre úlceras duodenais e gástricas perfuradas é crucial para a conduta. Úlceras duodenais são quase sempre benignas e geralmente tratadas com um reparo simples, como a epiloplastia de Graham (fechamento da perfuração com um retalho de omento). A videolaparoscopia é uma abordagem cada vez mais utilizada para esses casos. No entanto, úlceras gástricas perfuradas, especialmente aquelas maiores que 2 cm ou com características suspeitas (bordas infiltradas, rigidez), têm um risco significativo de malignidade. Nesses casos, a gastrectomia (ressecção da úlcera e parte do estômago) é a conduta preferencial para obter um diagnóstico histopatológico definitivo e garantir o tratamento oncológico adequado, mesmo em ambiente de emergência, apesar dos riscos inerentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos e radiológicos de um abdome agudo perfurativo?

Clinicamente, o paciente apresenta dor abdominal súbita e intensa, abdome em tábua (rigidez muscular involuntária) e sinais de peritonite. Radiologicamente, o pneumoperitônio (ar subdiafragmático) é o achado mais característico na radiografia de tórax ou abdome.

Quando a gastrectomia é indicada em casos de úlcera gástrica perfurada?

A gastrectomia é indicada para úlceras gástricas perfuradas maiores que 2 cm, com bordas infiltradas ou outras características que levantem suspeita de malignidade. Nesses casos, a ressecção é necessária para diagnóstico histopatológico e tratamento oncológico.

Qual a diferença no manejo cirúrgico entre úlceras duodenais e gástricas perfuradas?

Úlceras duodenais perfuradas são quase sempre benignas e geralmente tratadas com reparo simples (epiloplastia de Graham), muitas vezes por videolaparoscopia. Úlceras gástricas perfuradas, especialmente se grandes e suspeitas de malignidade, podem exigir gastrectomia para ressecção e biópsia definitiva.

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