Abdome Agudo Perfurativo: Diagnóstico e Conduta Imediata

Santa Casa de Goiânia (GO) — Prova 2022

Enunciado

Leia o caso clínico a seguir.Paciente de 45 anos, do sexo masculino, tabagista e etilista, apresentou dor abdominal súbita em epigástrio há cerca de 12 horas, associada a abdômen em tábua e desaparecimento da macicez à percussão em topografia hepática. Nesse caso, qual deve ser a conduta?

Alternativas

  1. A) A endoscopia digestiva alta está indicada de imediato, pela alta sensibilidade e especificidade em caso de úlceras gástricas.
  2. B) A tomografia de abdome é fundamental para diferenciar a origem do pneumoperitôneo e planejar a topografia da incisão.
  3. C) Observar o desaparecimento da macicez à percussão em topografia hepática, que é o sinal de Gersuny.
  4. D) A radiografia de tórax pode ser o único exame necessário para confirmação da suspeita clínica e indicação cirúrgica.

Pérola Clínica

Dor súbita + abdômen em tábua + sinal de Jobert → Abdome agudo perfurativo → Rx tórax (pneumoperitônio) → Cirurgia de emergência.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor abdominal súbita em epigástrio, abdômen em tábua e desaparecimento da macicez hepática (sinal de Jobert) é altamente sugestivo de perfuração de víscera oca, mais comumente úlcera péptica perfurada. A radiografia de tórax em posição ortostática é o exame inicial de escolha para detectar pneumoperitônio, confirmando a suspeita e indicando cirurgia de emergência.

Contexto Educacional

O abdome agudo perfurativo é uma emergência cirúrgica que exige reconhecimento e intervenção imediatos. A causa mais comum é a úlcera péptica perfurada, especialmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo e etilismo. O quadro clínico é caracterizado por dor abdominal súbita e intensa, que pode irradiar para o ombro, associada a sinais de irritação peritoneal, como o abdômen em tábua e o sinal de Jobert (desaparecimento da macicez hepática). O diagnóstico é primariamente clínico, mas a confirmação radiológica é crucial. A radiografia de tórax em posição ortostática é o exame de escolha, pois permite identificar o pneumoperitônio (ar livre subdiafragmático), que é o sinal radiológico mais confiável de perfuração. Em alguns casos, uma radiografia de abdome em pé também pode ser útil. A tomografia computadorizada pode ser realizada se o diagnóstico for incerto ou se houver suspeita de outras causas, mas não deve atrasar a cirurgia em um caso claro de perfuração. Uma vez confirmado o diagnóstico de perfuração, a conduta é cirúrgica de emergência para fechar a perfuração e realizar a limpeza da cavidade abdominal. O atraso no tratamento aumenta significativamente a morbidade e a mortalidade devido ao desenvolvimento de peritonite e sepse. Portanto, a rápida avaliação, diagnóstico e indicação cirúrgica são essenciais para o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos clássicos de uma perfuração de víscera oca?

Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intensa, geralmente em epigástrio, que se generaliza; abdômen em tábua (rigidez muscular); e o sinal de Jobert, que é o desaparecimento da macicez hepática à percussão devido à presença de ar livre na cavidade abdominal.

Qual o papel da radiografia de tórax no abdome agudo perfurativo?

A radiografia de tórax em posição ortostática é o exame de imagem mais importante e frequentemente o único necessário para confirmar a suspeita de perfuração. Ela pode demonstrar pneumoperitônio (ar subdiafragmático), que é patognomônico de perfuração de víscera oca e indica cirurgia de emergência.

Por que a endoscopia digestiva alta é contraindicada nesse cenário?

A endoscopia digestiva alta é contraindicada em casos de suspeita de perfuração de víscera oca, pois a insuflação de ar durante o procedimento pode agravar o pneumoperitônio e aumentar o risco de peritonite, além de não ser o método diagnóstico adequado para uma emergência cirúrgica.

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