UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Uma paciente de 76 anos de idade compareceu ao atendimento médico queixando-se de dor de forte intensidade no abdome, com início há cerca de duas horas. Relata ser tabagista, hipertensa e utilizar remédios para dores nas costas de forma contínua. Ao exame físico, apresentou abdome em tábua à palpação. Quanto aos sinais vitais, observam-se PA = 90 mmHg x 40 mmHg, FC = 120 bpm, FR = 20 irpm e SatO2 = 96%. A respeito desse caso clínico, assinale a alternativa correta.
Abdome em tábua + dor intensa + hipotensão em idoso com fatores de risco → úlcera péptica perfurada, tratamento cirúrgico.
A tríade dor abdominal intensa, abdome em tábua e sinais de choque em paciente com fatores de risco (tabagismo, uso de AINEs) é altamente sugestiva de perfuração de víscera oca, sendo a úlcera péptica perfurada a causa mais comum e exigindo intervenção cirúrgica imediata.
O abdome agudo perfurativo é uma emergência cirúrgica que requer reconhecimento e intervenção rápidos para evitar complicações graves como sepse e óbito. A úlcera péptica perfurada é uma das causas mais comuns, especialmente em pacientes com histórico de tabagismo e uso de AINEs, como o caso descrito. A dor súbita e intensa, associada a um abdome em tábua, é um sinal de irritação peritoneal generalizada. A apresentação clínica de hipotensão e taquicardia indica um quadro de choque, que pode ser hipovolêmico inicialmente devido à perda de fluidos para a cavidade peritoneal e, posteriormente, séptico. A prioridade é a estabilização hemodinâmica do paciente com fluidos intravenosos e a administração de antibióticos de amplo espectro para cobrir a flora intestinal que extravasa para o peritônio. O diagnóstico é primariamente clínico, suportado por exames de imagem como radiografia de tórax (que pode mostrar pneumoperitônio) ou tomografia computadorizada (se o paciente estiver estável). O tratamento definitivo é cirúrgico, visando o fechamento da perfuração e a limpeza da cavidade abdominal. A demora no tratamento aumenta significativamente a morbimortalidade.
Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intensa, difusa, que piora com o movimento, abdome em tábua (rigidez muscular involuntária), e sinais de irritação peritoneal. Pode haver hipotensão e taquicardia devido ao choque.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica (fluidos intravenosos), analgesia, antibioticoterapia de amplo espectro, e preparação para cirurgia de emergência. A radiografia de tórax e abdome pode mostrar pneumoperitônio, confirmando a perfuração.
Fatores de risco incluem infecção por Helicobacter pylori, uso crônico de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), tabagismo, consumo de álcool e estresse fisiológico. A idade avançada também é um fator importante.
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