UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Uma paciente de 76 anos de idade compareceu ao atendimento médico queixando-se de dor de forte intensidade no abdome, com início há cerca de duas horas.Relata ser tabagista, hipertensa e utilizar remédios para dores nas costas de forma contínua.Ao exame físico, apresentou abdome em tábua à palpação. Quanto aos sinais vitais, observam-se PA = 90mmHg x 40 mmHg, FC = 120 bpm, FR = 20 irpm e SatO2 = 96%.A respeito desse caso clínico, assinale a alternativa correta.
Dor abdominal súbita + abdome em tábua + instabilidade hemodinâmica → Abdome agudo perfurativo (úlcera péptica perfurada) → Cirurgia.
A tríade de dor abdominal súbita e intensa, abdome em tábua (sinal de peritonite difusa) e instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia) é altamente sugestiva de abdome agudo perfurativo, sendo a úlcera péptica perfurada uma das causas mais comuns, especialmente em pacientes com histórico de tabagismo e uso de AINEs. Nesses casos, a intervenção cirúrgica é a conduta de escolha.
O abdome agudo perfurativo é uma emergência cirúrgica caracterizada pela perfuração de uma víscera oca do trato gastrointestinal, levando ao extravasamento de conteúdo para a cavidade peritoneal e consequente peritonite. A úlcera péptica perfurada é uma das causas mais comuns, especialmente em idosos com histórico de tabagismo e uso de AINEs, que são fatores de risco conhecidos para o desenvolvimento de úlceras. A rápida identificação e intervenção são cruciais para a sobrevida do paciente. A fisiopatologia da úlcera péptica perfurada envolve a erosão da parede gástrica ou duodenal, permitindo que o conteúdo ácido e enzimático extravase para a cavidade peritoneal. Isso desencadeia uma resposta inflamatória intensa, resultando em peritonite química inicial e, posteriormente, bacteriana. Clinicamente, manifesta-se por dor abdominal súbita e intensa, difusa, com defesa e rigidez abdominal ("abdome em tábua"). A instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia) indica choque séptico ou hipovolêmico, exigindo ação imediata. O tratamento do abdome agudo perfurativo, especialmente por úlcera péptica, é predominantemente cirúrgico. A laparotomia exploradora (ou laparoscopia) é necessária para identificar e fechar a perfuração, além de realizar a lavagem da cavidade peritoneal. A estabilização hemodinâmica com fluidos intravenosos e antibioticoterapia de amplo espectro são medidas pré-operatórias essenciais. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da intervenção, sendo a mortalidade maior em pacientes com atraso no tratamento ou com comorbidades significativas.
Os principais fatores de risco incluem infecção por Helicobacter pylori, uso crônico de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), tabagismo, consumo de álcool e estresse fisiológico grave. A paciente do caso apresenta tabagismo e uso contínuo de AINEs para dor nas costas.
O achado mais característico é o abdome em tábua, que reflete a irritação peritoneal difusa causada pelo extravasamento de conteúdo gástrico ou duodenal para a cavidade abdominal, levando a uma contração involuntária e rígida da musculatura abdominal.
A radiografia simples de tórax em pé e de abdome em pé (ou decúbito lateral esquerdo com raios horizontais) é o exame inicial mais útil, pois pode revelar pneumoperitônio (ar livre subdiafragmático), um sinal patognomônico de perfuração de víscera oca. A tomografia é mais sensível, mas pode atrasar a cirurgia em pacientes instáveis.
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