SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2022
Homem de 56 anos portador de neoplasia de próstata com metástase óssea, em tratamento com terapia de privação androgênica e, para dores lombares, vem em uso de meloxicam 15 mg diariamente e dipirona 1 g de 6/6 horas, sem outras comorbidades. Vinha em uso controlado da doença de base e do quadro álgico quando deu entrada no pronto-socorro com forte dor abdominal em queimação, sudorese fria, taquisfigmia, pressão arterial na admissão de 104/60 mmHg, consciente e agitado. No exame físico do abdome nota-se defesa difusa a palpação superficial, ruídos hidroaéreos ausentes e hipertimpanismo no espaço de Traube e na loja hepática. Demais sistemas sem alterações no exame físico e eletrocardiograma normal. Diante das alternativas, qual seria sua próxima conduta?
Abdome agudo com uso de AINEs + sinais de peritonite → suspeitar de perfuração de víscera oca. RX tórax/abdome em ortostase para pneumoperitônio.
A história de uso crônico de AINEs (meloxicam) em um paciente com dor abdominal súbita e sinais de peritonite (defesa difusa, ruídos ausentes) é altamente sugestiva de úlcera péptica perfurada. A radiografia de abdome e tórax em ortostase é crucial para identificar pneumoperitônio, um sinal direto de perfuração de víscera oca, que exige intervenção cirúrgica imediata.
O abdome agudo perfurativo é uma emergência cirúrgica que exige diagnóstico e tratamento rápidos. A úlcera péptica perfurada é uma das causas mais comuns, frequentemente associada ao uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ou infecção por Helicobacter pylori. A apresentação clínica é de dor abdominal súbita e intensa, com sinais de peritonite generalizada. A mortalidade aumenta significativamente com o atraso no diagnóstico e na intervenção cirúrgica. A fisiopatologia envolve a erosão da parede gástrica ou duodenal, levando à extravasamento de conteúdo gastrointestinal para a cavidade peritoneal, causando peritonite química e, posteriormente, bacteriana. O diagnóstico é primariamente clínico, complementado por exames de imagem. A radiografia de tórax e abdome em ortostase é fundamental para identificar pneumoperitônio, que é patognomônico de perfuração de víscera oca. Em casos onde o paciente não consegue ficar em ortostase, a radiografia em decúbito lateral esquerdo pode mostrar ar livre entre o fígado e a parede abdominal. A conduta inicial inclui estabilização hemodinâmica, analgesia, antibioticoterapia de amplo espectro e, após a confirmação diagnóstica, laparotomia exploradora ou laparoscopia para fechamento da perfuração e lavagem da cavidade. É crucial reconhecer os sinais de alarme e evitar atrasos na solicitação dos exames de imagem apropriados para garantir o melhor prognóstico para o paciente.
Os sinais incluem dor abdominal súbita e intensa em queimação, defesa abdominal difusa, abdome em tábua, ruídos hidroaéreos ausentes, taquisfigmia e hipotensão. O paciente pode apresentar sudorese fria e agitação.
A radiografia de tórax e abdome em ortostase é o exame de escolha para detectar pneumoperitônio (ar livre subdiafragmático), que é o sinal mais comum de perfuração de víscera oca. É um exame rápido e de fácil acesso no pronto-socorro.
O uso prolongado de AINEs pode inibir a síntese de prostaglandinas, que são protetoras da mucosa gástrica, aumentando o risco de gastrite, úlceras pépticas e suas complicações, como sangramento e perfuração.
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