HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2023
Paciente feminina, 72 anos, queixando-se de dor abdominal há 5 dias, associada à febre, vômitos e anorexia. Devido à piora da dor procurou o serviço de emergência. Na admissão encontra-se em mal estado geral, hipotensa, taquicárdica, febril, com perfusão periférica lentificada. Ao exame abdominal: distendido, ruídos hidroaéreos reduzidos, doloroso à palpação superficial e profunda difusamente com descompressão brusca dolorosa em quadrante inferior esquerdo. Devido à instabilidade hemodinâmica, realizou apenas exames séricos e a radiografia abaixo. A principal hipótese diagnóstica é:
Dor abdominal difusa + descompressão brusca + instabilidade hemodinâmica → Abdome agudo perfurativo.
A presença de dor abdominal difusa com sinais de peritonite (descompressão brusca dolorosa) e instabilidade hemodinâmica em um paciente idoso sugere um quadro grave, como uma perfuração de víscera oca ou isquemia mesentérica com necrose e perfuração, levando a sepse abdominal. A radiografia, embora não mostrada, provavelmente evidenciaria pneumoperitônio.
O abdome agudo perfurativo é uma emergência cirúrgica caracterizada pela perfuração de uma víscera oca, resultando em extravasamento de conteúdo gastrointestinal para a cavidade peritoneal e consequente peritonite. É uma condição grave, com alta morbimortalidade, especialmente em idosos e pacientes com comorbidades, e exige reconhecimento e intervenção rápidos. A fisiopatologia envolve a contaminação da cavidade peritoneal por bactérias e substâncias irritantes, levando a uma resposta inflamatória sistêmica que pode evoluir para sepse e choque. O diagnóstico é clínico, baseado na dor abdominal intensa e difusa, sinais de irritação peritoneal e, frequentemente, instabilidade hemodinâmica. Exames complementares como radiografia de tórax e abdome (para pneumoperitônio) e tomografia computadorizada são cruciais para confirmar a perfuração e identificar a causa. O tratamento é predominantemente cirúrgico, visando o fechamento da perfuração e a limpeza da cavidade abdominal. A estabilização hemodinâmica pré-operatória e a antibioticoterapia de amplo espectro são fundamentais para melhorar o prognóstico. A identificação precoce e a intervenção agressiva são determinantes para a sobrevida do paciente.
Os sinais incluem dor abdominal súbita e intensa, difusa, com descompressão brusca dolorosa (sinal de Blumberg), rigidez abdominal, febre, taquicardia e, em casos avançados, instabilidade hemodinâmica e sinais de sepse.
A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica com fluidos intravenosos, oxigenoterapia, antibioticoterapia de amplo espectro e avaliação cirúrgica emergencial. Exames de imagem devem ser realizados se a condição do paciente permitir.
A radiografia de abdome, especialmente em posição ortostática ou decúbito lateral esquerdo com raios horizontais, pode evidenciar pneumoperitônio (ar livre subdiafragmático), um sinal patognomônico de perfuração de víscera oca.
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