Indicações de Laparotomia no Abdome Agudo Grave

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026

Enunciado

Homem de 32 anos, previamente hígido, com história de dor abdominal em andar superior de forte intensidade há 2 dias, associada a dois episódios de vômito, nega sintomas prévios a esse período, mas refere episódio de ingestão de bebida alcóolica em grande quantidade há 3 dias. Apresenta dor constante, graduação 8 em 10, sem fatores de melhora ou piora, acometendo todo o andar superior. Ao exame físico, estava em regular estado geral e com fácies de dor, tendo apresentado vômito na admissão. A frequência cardíaca é de 125 bpm e a pressão arterial de 110x85 mmHg. Pouco colaborativo, não permite exame físico abdominal adequado por dor. Realizou o exame de imagem exibido a seguir e, após retornar do exame, evoluiu com rebaixamento do nível de consciência, hipotensão e má perfusão periférica. Diante do quadro, assinale a alternativa que apresenta a conduta terapêutica adequada nesse momento.

Alternativas

  1. A) Laparotomia exploradora.
  2. B) Laparoscopia diagnóstica.
  3. C) Suporte intensivo, expansão volêmica com ringer lactato, seguida de manutenção com 1,5 mL/kg/h e jejum por enquanto.
  4. D) Suporte intensivo, hidratação, ceftriaxone e metronidazol.

Pérola Clínica

Instabilidade súbita + sinais de peritonismo + falha na resposta volêmica → Laparotomia imediata.

Resumo-Chave

Em quadros de abdome agudo com rápida deterioração clínica, choque refratário e suspeita de catástrofe abdominal (como perfuração), a intervenção cirúrgica precede a estabilização clínica completa.

Contexto Educacional

O manejo do abdome agudo grave exige discernimento entre patologias clínicas (como a pancreatite biliar ou alcoólica típica) e cirúrgicas (como a úlcera perfurada). A apresentação de dor súbita em andar superior, seguida de choque e rebaixamento de consciência, aponta para uma evolução catastrófica. Em provas de residência, quando o gabarito indica laparotomia em um cenário que lembra pancreatite, o examinador geralmente foca na instabilidade hemodinâmica 'não responsiva' ou na suspeita de perfuração de víscera oca. A laparotomia exploradora permanece como o padrão-ouro para diagnóstico e tratamento simultâneo em casos de abdome agudo com peritonite generalizada ou choque de causa abdominal obscura. O suporte intensivo é complementar, mas não substitui a necessidade de controle da fonte cirúrgica quando esta é a causa primária do choque obstrutivo ou séptico.

Perguntas Frequentes

Quando a laparotomia é preferível à conduta conservadora na pancreatite?

Embora a pancreatite aguda seja majoritariamente de tratamento clínico, a laparotomia é indicada na presença de complicações infecciosas refratárias, síndrome compartimental abdominal ou quando há dúvida diagnóstica com outras catástrofes abdominais, como a perfuração de víscera oca, que mimetiza a dor em barra mas apresenta sinais de peritonite franca e choque precoce.

Quais sinais indicam falha no tratamento clínico inicial?

A persistência da hipotensão apesar da expansão volêmica agressiva, o rebaixamento do nível de consciência e a piora da perfusão periférica (tempo de enchimento capilar lentificado) sugerem um foco cirúrgico não controlado ou uma complicação sistêmica grave que exige intervenção imediata.

Qual o papel da imagem na decisão cirúrgica?

Exames de imagem como a TC podem identificar pneumoperitônio ou líquido livre, mas em pacientes que evoluem com choque e instabilidade hemodinâmica grave logo após o exame, a clínica de abdome agudo cirúrgico torna-se soberana para a indicação da laparotomia exploradora.

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