Abdome Agudo em HIV: Tuberculose Abdominal e Conduta

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2022

Enunciado

Uma mulher de 34 anos de idade, usuária de crack, soropositiva, é admitida no pronto-socorro com queixa de dor abdominal difusa há três dias, e vômitos. Não sabe informar febre. Ao exame: desidratada (2+/4+), com FC = 110 bpm e PA = 100 x 60 mmHg. Roncos à ausculta pulmonar e distensão abdominal com dor à palpação superficial e profunda. O raio X de tórax revela infiltrado pulmonar no ápice direito, e o raio X de abdome, distensão de delgado e algumas imagens de nível hidroaéreo no flanco direito.Apartir dessas informações, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Trata-se de abdome agudo perfurativo, próximo ao ângulo de Treitz, característico do usuário de crack.
  2. B) A laparotomia está indicada, pois se trata de um quadro de peritonite purulenta.
  3. C) A laparotomia exploradora, nesse caso, pode ser não terapêutica.
  4. D) Se o BK no escarro for negativo, está indicada laparotomia exploradora.

Pérola Clínica

HIV+ com abdome agudo e infiltrado apical → TB abdominal/intestinal → laparotomia pode ser apenas diagnóstica.

Resumo-Chave

Em pacientes HIV-positivos, especialmente usuários de drogas, um quadro de abdome agudo com sintomas sistêmicos e achados pulmonares (infiltrado apical) deve levantar a forte suspeita de tuberculose abdominal ou intestinal. Nesses casos, a laparotomia exploradora pode ser necessária para diagnóstico, mas frequentemente não é curativa, pois a doença subjacente é médica e requer tratamento específico.

Contexto Educacional

O abdome agudo em pacientes HIV-positivos é um desafio diagnóstico e terapêutico, dada a ampla gama de etiologias, incluindo infecções oportunistas e neoplasias, além das causas comuns. A imunossupressão altera a apresentação clínica das doenças, tornando os sintomas menos típicos e o diagnóstico mais complexo. A tuberculose abdominal é uma infecção oportunista relevante nesse grupo, podendo causar peritonite, obstrução intestinal ou massas abdominais, e frequentemente coexiste com tuberculose pulmonar, como sugerido pelo infiltrado apical no raio-X de tórax. O quadro clínico de dor abdominal difusa, vômitos, distensão e níveis hidroaéreos pode indicar obstrução intestinal ou peritonite. No entanto, a abordagem cirúrgica nem sempre é a solução definitiva. Em casos de tuberculose abdominal, a laparotomia exploradora pode ser necessária para obter amostras para diagnóstico (biópsia), mas o tratamento principal é medicamentoso, com esquema antituberculose. É crucial que residentes considerem o status imunológico do paciente e o contexto epidemiológico ao abordar um abdome agudo. A decisão de realizar uma laparotomia deve ser ponderada, pois em algumas situações, ela pode ser meramente diagnóstica e não terapêutica, expondo o paciente a riscos cirúrgicos sem resolver a doença de base. O manejo multidisciplinar é frequentemente necessário para otimizar os resultados.

Perguntas Frequentes

Quais são as causas comuns de abdome agudo em pacientes HIV-positivos?

Em pacientes HIV-positivos, as causas de abdome agudo incluem infecções oportunistas (como tuberculose, CMV, criptosporidiose), neoplasias (linfoma, sarcoma de Kaposi), efeitos adversos de medicamentos e causas comuns da população geral. A tuberculose abdominal é uma causa importante a ser considerada.

Por que a tuberculose abdominal deve ser considerada em um paciente HIV-positivo com abdome agudo?

A tuberculose abdominal é comum em pacientes HIV-positivos devido à imunossupressão. Pode se manifestar como peritonite, enterite, obstrução intestinal ou linfadenite mesentérica, mimetizando outras causas de abdome agudo. A presença de infiltrado pulmonar apical reforça a suspeita de TB.

Em que situações a laparotomia exploradora pode ser não terapêutica em um abdome agudo?

A laparotomia exploradora pode ser não terapêutica quando a causa subjacente do abdome agudo é uma doença médica que não se beneficia de intervenção cirúrgica direta, como a tuberculose abdominal difusa, ou quando a cirurgia não consegue resolver a patologia (ex: carcinomatose peritoneal avançada). Nesses casos, a laparotomia serve principalmente para diagnóstico.

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