UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023
Médico de plantão numa Unidade de Pronto Atendimento (UPA) atende a um paciente de 76 anos com dor abdominal há três dias, anorexia, náuseas, vômitos e parada na eliminação de gases e fezes, piorando nas últimas 24 h, e seguida de vômitos fecalóides. O paciente é hipertenso e faz uso de losartana. Ao exame clínico, está desidratado e descorado, apresentando TA (160 X 100 mmHg), FC = 110, SAT = 96% em ar ambiente. O abdômen está distendido, sem cicatrizes cirúrgicas, ruídos hidroaéreos débeis à palpação, bastante doloroso difusamente, com descompressão brusca positiva em fossas ilíacas. Há a presença de hérnia inguinal direita não redutível. O toque retal revela a ausência de fezes, as paredes retais com aspecto normal, a próstata aumentada e de consistência endurecida. Realizou exame radiológico simples no local que revelou alças intestinais com distensão e níveis hidroaéreos, ausência de fezes em ampola retal; hemograma = 15.000 leucócitos e desvio à esquerda e PCR= 160 mg/dl. Baseando-se no relato, avalie as afirmativas abaixo.Entre as afirmativas, estão corretas
Idoso + dor abdominal + vômitos fecaloides + hérnia inguinal irredutível + sinais inflamatórios → Obstrução intestinal com estrangulamento.
O quadro clínico de dor abdominal, vômitos fecaloides, parada de eliminação de gases e fezes, associado a uma hérnia inguinal não redutível e sinais de resposta inflamatória sistêmica (leucocitose, PCR elevada), é altamente sugestivo de obstrução intestinal, provavelmente por hérnia inguinal encarcerada/estrangulada, configurando um abdome agudo obstrutivo.
A obstrução intestinal é uma condição grave, especialmente em idosos, e representa uma emergência cirúrgica comum. As causas são variadas, incluindo aderências pós-cirúrgicas, tumores e hérnias. No caso de um paciente idoso com dor abdominal, vômitos fecaloides e uma hérnia inguinal não redutível, a suspeita de obstrução intestinal por hérnia encarcerada ou estrangulada é muito alta. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na tríade de dor abdominal, distensão e parada de eliminação de gases e fezes. Vômitos fecaloides são um sinal tardio e grave de obstrução baixa. O exame físico deve incluir a palpação abdominal para distensão, dor e sinais de peritonite, além da avaliação de orifícios herniários. A presença de uma hérnia não redutível, associada a sinais sistêmicos de inflamação (leucocitose, PCR elevada), aumenta a preocupação com estrangulamento, que implica isquemia e necrose do intestino. A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, hidratação venosa, analgesia e descompressão gástrica com sonda nasogástrica. Exames complementares como radiografia simples de abdome e exames laboratoriais são úteis. A confirmação de estrangulamento ou a falha na redução da hérnia indicam a necessidade de intervenção cirúrgica de emergência para evitar complicações como perfuração intestinal, sepse e morte.
Os principais sinais e sintomas incluem dor abdominal tipo cólica, distensão abdominal, náuseas, vômitos (que podem se tornar fecaloides em obstruções baixas e prolongadas) e parada na eliminação de gases e fezes.
Suspeita-se de estrangulamento quando há dor intensa e localizada, sinais de peritonite (descompressão brusca positiva), febre, taquicardia, leucocitose com desvio à esquerda e piora do estado geral, indicando isquemia ou necrose do conteúdo herniado.
A radiografia simples de abdome pode revelar alças intestinais distendidas, níveis hidroaéreos e ausência de gás no reto, que são achados clássicos de obstrução. Embora não defina a causa, confirma a presença da obstrução e sua localização aproximada.
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