HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020
Homem, 66 anos de idade, vem ao pronto-socorro com queixa há 2 dias, de dor abdominal associada a náusea. Refere também parada de eliminação de flatos e fezes nesse período. Nega febre. Nega sintomas urinários. Antecedentes pessoais: hipertensão arterial - em uso regular de losartana. Antecedentes cirúrgicos: Há 5 anos, laparotomia exploradora por apendicite complicada. Ao exame físico: BEG, corado, hidratado, anictérico e afebril. Abdômen distendido, hipertimpânico, doloroso à palpação, sem sinais de peritonite. Toque renal: sem fecaloma. Solicitada radiografia de abdome, reproduzida a seguir: Qual é a principal hipótese diagnóstica sindrômica e etiológica para o caso?
Abdome agudo obstrutivo pós-cirurgia abdominal prévia → bridas e aderências como causa mais comum.
O quadro de dor abdominal, náuseas, parada de eliminação de flatos e fezes, distensão e hipertimpanismo abdominal, em paciente com cirurgia abdominal prévia, é altamente sugestivo de abdome agudo obstrutivo. Bridas e aderências são a causa mais comum de obstrução intestinal em pacientes com histórico de laparotomia.
O abdome agudo obstrutivo é uma síndrome clínica grave caracterizada pela interrupção do trânsito intestinal, seja por causas mecânicas ou funcionais. É uma das principais emergências cirúrgicas abdominais, com alta morbidade e mortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. A etiologia varia, mas em pacientes com histórico de cirurgia abdominal prévia, as bridas e aderências são a causa mais comum, respondendo por cerca de 60-70% dos casos de obstrução de intestino delgado. O quadro clínico típico inclui dor abdominal tipo cólica, náuseas, vômitos, distensão abdominal e parada de eliminação de flatos e fezes. Ao exame físico, o abdome pode estar distendido, hipertimpânico e doloroso à palpação, mas sem sinais de peritonite na fase inicial. A ausência de febre e sintomas urinários, como no caso, ajuda a direcionar o diagnóstico. A radiografia simples de abdome pode revelar níveis hidroaéreos e alças distendidas, enquanto a tomografia computadorizada é o exame padrão-ouro para confirmar a obstrução, identificar o local e a causa. O manejo do abdome agudo obstrutivo por bridas inicialmente pode ser conservador em casos selecionados (jejum, sonda nasogástrica, hidratação venosa), mas a falha do tratamento conservador ou a presença de sinais de isquemia/estrangulamento intestinal indicam a necessidade de intervenção cirúrgica. A prevenção de aderências é um desafio, mas técnicas cirúrgicas minimamente invasivas podem reduzir sua incidência.
Os sintomas incluem dor abdominal tipo cólica, náuseas, vômitos (que podem ser biliosos ou fecaloides), distensão abdominal e parada de eliminação de flatos e fezes. Ao exame físico, pode-se encontrar hipertimpanismo e dor à palpação.
Bridas e aderências são bandas de tecido fibroso que se formam após cirurgias abdominais, inflamações ou infecções. Elas podem estrangular ou torcer alças intestinais, levando à obstrução mecânica. São a principal causa de obstrução de intestino delgado em pacientes com cirurgia prévia.
A investigação inicial inclui radiografia simples de abdome (em pé e decúbito), que pode mostrar níveis hidroaéreos e distensão de alças. A tomografia computadorizada de abdome é o exame de escolha para confirmar a obstrução, identificar a causa e avaliar complicações.
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