CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2020
Paciente 89 anos, acamada há 6 meses, após evento neurológico isquêmico, pouco contactuante, traqueostomizada e se alimentando via gastrostomia. Vem apresentando dificuldade para evacuar há 8 dias, pouca aceitação de dieta VO e náuseas presentes. Foi trazida em consulta ambulatorial para avaliação e conduta. Sua acompanhante refere também o aumento do volume abdominal. No sentido de elucidação diagnóstica, interprete as alternativas e marque a correta.
Idoso acamado com constipação e distensão abdominal → excluir abdome agudo obstrutivo com exame físico e imagem.
Pacientes idosos, acamados e com múltiplos fatores de risco (neurológicos, gastrostomia) que apresentam constipação prolongada, distensão abdominal e náuseas devem ser investigados para abdome agudo obstrutivo. A abordagem inclui exame físico completo, toque retal e exames de imagem para diferenciar constipação funcional grave de uma obstrução mecânica, orientando a conduta terapêutica adequada.
A constipação intestinal é um problema comum em pacientes idosos, especialmente aqueles acamados ou com comorbidades neurológicas, devido à redução da mobilidade, uso de múltiplos medicamentos e alterações na dieta. No entanto, quando a constipação se associa a sintomas como distensão abdominal progressiva, náuseas e pouca aceitação de dieta, é mandatório considerar a possibilidade de um abdome agudo obstrutivo. Essa condição é uma emergência médica que exige diagnóstico e tratamento rápidos para evitar complicações graves como isquemia, necrose e perfuração intestinal. A avaliação inicial de um paciente com suspeita de obstrução intestinal deve incluir uma anamnese detalhada, buscando informações sobre o padrão de evacuação, cirurgias prévias, uso de medicamentos e comorbidades. O exame físico é crucial, com inspeção, palpação, percussão e ausculta do abdome, além do toque retal. O toque retal pode revelar um fecaloma, que é uma causa comum de obstrução em idosos, ou outras anormalidades retais. A distensão abdominal e a presença de ruídos hidroaéreos alterados são achados importantes. Para a elucidação diagnóstica, exames de imagem são indispensáveis. Radiografias simples de abdome podem sugerir obstrução, mas a tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve é o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico, identificar a causa (aderências, hérnias, tumores, volvo), o nível da obstrução e a presença de complicações. A conduta terapêutica dependerá da causa e da gravidade da obstrução, podendo variar desde medidas conservadoras (hidratação, descompressão nasogástrica) até intervenção cirúrgica de emergência.
Os principais sinais e sintomas incluem dor abdominal tipo cólica, distensão abdominal, vômitos (que podem ser biliosos ou fecaloides), parada de eliminação de flatos e fezes, e ruídos hidroaéreos aumentados ou ausentes. A gravidade e a localização da obstrução influenciam a apresentação clínica.
O toque retal é fundamental para avaliar a ampola retal (presença de fezes, fecaloma), o tônus do esfíncter anal, a presença de massas ou estenoses, e para diferenciar uma obstrução alta de uma baixa. Pode revelar um fecaloma impactado, que é uma causa comum de pseudo-obstrução em idosos.
Radiografias simples de abdome (em pé e deitado) podem mostrar níveis hidroaéreos e alças dilatadas. A tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve com contraste é o método de imagem mais sensível e específico para identificar a causa, localização e grau da obstrução, além de complicações como isquemia ou perfuração.
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