Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2023
Paciente feminina de 62 anos queixando-se de dor abdominal difusa há 4 dias, em cólicas, associada a distensão abdominal e vômitos fétidos e escuros. Relata que há 4 meses vem apresentando alguns episódios esporádicos de sangramento nas fezes, bem como redução da frequência evacuatória. Nega febre. Nega trauma. Nega cirurgias prévias. Ao exame físico: regular estado geral, descorada, desidratada, anictérica, afebril. Semiologia cardíaca e pulmonar normais. Abdome distendido, com ruídos, doloroso a palpação difusa, sem sinais de irritação peritoneal. Toque retal nota-se lesão ulcerada circunferencial distando 5 centímetros da borda anal. Foras realizadas as radiografias e a tomografia de abdome e pelve abaixo. Assinale a alternativa que corresponde ao diagnóstico sindrômico.
Dor abdominal em cólica + distensão + vômitos fétidos + alteração hábito intestinal + massa retal = Abdome Agudo Obstrutivo.
A apresentação clássica de dor abdominal em cólica, distensão e vômitos fétidos, associada a alterações do hábito intestinal e sangramento, sugere fortemente uma obstrução intestinal. A lesão retal palpável aponta para uma etiologia neoplásica como causa da obstrução.
O abdome agudo obstrutivo é uma emergência cirúrgica comum, caracterizada pela interrupção do trânsito intestinal. Pode ser mecânico ou funcional, sendo o mecânico o mais frequente e potencialmente grave. A etiologia varia com a idade, incluindo aderências pós-cirúrgicas, hérnias e neoplasias em adultos. A suspeita diagnóstica baseia-se na tríade clássica de dor abdominal em cólica, distensão abdominal e vômitos, acompanhada de parada de eliminação de flatos e fezes. O exame físico deve incluir a palpação abdominal para distensão e dor, ausculta de ruídos hidroaéreos e, crucialmente, o toque retal para identificar massas ou impactação. Exames de imagem como radiografia simples de abdome e tomografia computadorizada são essenciais para confirmar a obstrução, localizar o ponto e identificar a causa. O tratamento inicial envolve estabilização do paciente, descompressão gástrica com sonda nasogástrica, hidratação venosa e analgesia. A conduta definitiva depende da causa da obstrução, podendo ser cirúrgica em casos de obstrução mecânica completa ou estrangulamento, ou conservadora em casos selecionados de obstrução parcial ou íleo paralítico.
A dor abdominal em cólica, distensão abdominal, vômitos (que podem ser fétidos ou biliosos) e parada de eliminação de flatos e fezes são os sintomas cardinais.
O toque retal é crucial para identificar massas, impactação fecal ou sangramento, que podem ser a causa da obstrução, especialmente em obstruções baixas.
A presença de dor em cólica, distensão e vômitos, sem sinais de irritação peritoneal, e a ausência de febre, favorecem a obstrução em detrimento de causas inflamatórias ou perfurativas.
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