PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2024
Um paciente, masculino de 65 anos, hipertenso, diabético não insulino dependente, com duas cirurgias prévias, por úlcera péptica perfurada e apendicite complicada, passou a apresentar dor abdominal difusa, há 5 dias, com parada de eliminação de flatos e fezes, distensão abdominal e náuseas e vômitos escurecidos. Relata ainda hiporexia, redução do volume urinário, e que hoje apresentou saída de pequena quantidade de fezes, porém sem melhora dos sintomas. Está no setor de urgência do hospital realizando analgesia endovenosa e aguardando avaliação da cirurgia geral, que estava em cirurgia por um caso de politrauma grave. Sobre o tema abdome agudo obstrutivo, descrito acima, assinale a alternativa correta.
Abdome agudo obstrutivo → estabilização clínica + investigação completa + descompressão + ATB empírico.
Em casos de abdome agudo obstrutivo, a estabilização do paciente é prioritária e não deve aguardar a equipe cirúrgica. Isso inclui hidratação, descompressão gástrica, analgesia adequada e investigação diagnóstica com exames laboratoriais e de imagem, além de antibioticoterapia profilática devido ao risco de translocação bacteriana.
O abdome agudo obstrutivo é uma condição grave que exige reconhecimento e manejo rápidos. Caracteriza-se pela interrupção do trânsito intestinal, levando a dor abdominal, distensão, náuseas, vômitos e parada de eliminação de flatos e fezes. A epidemiologia varia conforme a etiologia, sendo as bridas pós-cirúrgicas a causa mais comum em adultos. A importância clínica reside no risco de isquemia, necrose e perfuração intestinal, com alta morbimortalidade se não tratado adequadamente. A fisiopatologia envolve o acúmulo de líquidos e gases a montante da obstrução, levando à distensão, aumento da pressão intraluminal e comprometimento da perfusão da parede intestinal. O diagnóstico é clínico, com base na história e exame físico, e confirmado por exames de imagem. A tomografia de abdome total é o padrão-ouro, fornecendo detalhes sobre o local, causa e complicações. Deve-se suspeitar em pacientes com dor abdominal progressiva, vômitos e alteração do hábito intestinal, especialmente com histórico cirúrgico. O tratamento inicial é de suporte e deve ser instituído imediatamente, mesmo antes da avaliação cirúrgica definitiva. Inclui hidratação venosa vigorosa para corrigir desidratação e distúrbios eletrolíticos, descompressão gástrica com sonda nasogástrica para aliviar vômitos e distensão, analgesia e antibioticoterapia empírica para cobrir bactérias entéricas, prevenindo translocação. A decisão por tratamento cirúrgico ou conservador dependerá da etiologia e da presença de complicações.
As prioridades incluem estabilização hemodinâmica com hidratação venosa, descompressão do trato gastrointestinal com sonda nasogástrica, analgesia, investigação diagnóstica com exames laboratoriais e de imagem (TC de abdome total) e antibioticoterapia empírica.
A tomografia de abdome total oferece alta sensibilidade e especificidade para identificar o local, a causa e a gravidade da obstrução, além de detectar complicações como isquemia ou perfuração intestinal.
A antibioticoterapia é indicada devido ao risco de translocação bacteriana da luz intestinal para a corrente sanguínea, especialmente em casos de obstrução prolongada ou com sinais de sofrimento de alça, prevenindo sepse.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo