Abdome Agudo Obstrutivo: Diagnóstico e Manejo Clínico

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 62 anos de idade, é admitido no serviço de emergência devido a dor abdominal em cólica, vômitos e distensão abdominal há 4 dias. Última evacuação há 5 dias e, desde então, não elimina gases. Refere cólica abdominal há 3 meses, com vômitos esporádicos que melhorava com jejum e medicamento antiespasmódico. Tem hipertensão arterial controlada e nega operações abdominais prévias.Ao exame físico:Bom estado, desidratado, eupneico.Abdome: distendido, ruídos hidroaéreos aumentados, doloroso à palpação profunda sem irritação peritoneal.Toque retal: sem fezes na ampola.Exames laboratoriais: Hb: 10,9 g/dL; Ht: 38%; Creatinina: 2,9 mg/dL; Ureia: 110 mg/dL. Demais exames sem alterações.Realizada a tomografia de abdome apresentada.Qual é a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Abdome agudo obstrutivo ao nível do sigmoide.
  2. B) Síndrome de Ogilvie.
  3. C) Abdome agudo obstrutivo ao nível de delgado.
  4. D) Íleo paralítico.

Pérola Clínica

Dor cólica + vômitos + distensão + ausência gases + ruídos ↑ = Obstrução Intestinal.

Resumo-Chave

O quadro clínico clássico de dor abdominal em cólica, vômitos, distensão abdominal e ausência de eliminação de gases e fezes, com ruídos hidroaéreos aumentados, é altamente sugestivo de obstrução intestinal. A história de sintomas intermitentes por 3 meses sugere uma causa subjacente progressiva.

Contexto Educacional

O abdome agudo obstrutivo é uma condição cirúrgica comum e potencialmente grave, caracterizada pela interrupção do trânsito intestinal. É uma das principais causas de admissão em serviços de emergência com dor abdominal. A etiologia varia, sendo as aderências pós-cirúrgicas a causa mais comum no intestino delgado e neoplasias no cólon. O quadro clínico típico envolve dor abdominal em cólica, vômitos, distensão abdominal e obstipação (ausência de eliminação de gases e fezes). Ao exame físico, podem-se encontrar ruídos hidroaéreos aumentados e de timbre metálico, indicando hiperperistalse de luta. A desidratação e o desequilíbrio eletrolítico são comuns devido aos vômitos e sequestro de líquidos. O diagnóstico é clínico e radiológico. A radiografia simples de abdome pode mostrar alças dilatadas e níveis hidroaéreos, mas a tomografia computadorizada é o exame padrão-ouro, fornecendo informações detalhadas sobre o nível, a causa e a presença de complicações. O manejo inicial inclui hidratação venosa, descompressão gástrica com sonda nasogástrica e analgesia, seguido de tratamento específico da causa, que frequentemente é cirúrgico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos de obstrução intestinal?

Os sinais e sintomas clássicos incluem dor abdominal em cólica, vômitos (que podem ser biliosos, fecaloideos ou alimentares), distensão abdominal e ausência de eliminação de gases e fezes (obstipação).

Como diferenciar obstrução de delgado de obstrução de cólon?

A obstrução de delgado geralmente apresenta vômitos mais precoces e profusos, distensão menos proeminente e dor mais central. A obstrução de cólon cursa com distensão mais acentuada, vômitos tardios e dor mais difusa.

Qual o papel da tomografia no diagnóstico de obstrução intestinal?

A tomografia computadorizada é o exame de imagem de escolha, pois confirma a obstrução, localiza o nível (delgado ou cólon), identifica a causa (aderências, hérnias, tumores) e avalia sinais de complicação como isquemia.

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