Abdome Agudo Obstrutivo: Distúrbios Eletrolíticos

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2023

Enunciado

Sobre o abdome agudo obstrutivo, é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) Nos casos de hérnias da região inguinal, pode-se realizar a inguinotomia com avaliação da viabilidade de alças e da necessidade de laparotomia.
  2. B) Em situações de perfuração, peritonite e necrose de alça, os índices de mortalidade são baixos e geralmente se restringem aos mais idosos.
  3. C) No exame físico, os ruídos hidroaéreos de timbre metálico não indicam obstáculo mecânico ao trânsito intestinal.
  4. D) Na obstrução alta ocorrem alcalose metabólica hipocalêmica e hipoclorêmica, e, na obstrução baixa, é mais comum haver acidose metabólica.

Pérola Clínica

Obstrução intestinal alta → alcalose metabólica hipocalêmica/hipoclorêmica; Obstrução baixa → acidose metabólica.

Resumo-Chave

A localização da obstrução intestinal determina os distúrbios hidroeletrolíticos. Obstruções altas levam à perda de HCl e potássio por vômitos, enquanto obstruções baixas, com maior tempo de estase e isquemia, podem cursar com acidose metabólica devido à má perfusão e acúmulo de lactato.

Contexto Educacional

O abdome agudo obstrutivo é uma condição cirúrgica comum, caracterizada pela interrupção do trânsito intestinal. Pode ser mecânico ou funcional, sendo as causas mais frequentes aderências pós-cirúrgicas, hérnias e neoplasias. A rápida identificação e manejo são cruciais para evitar complicações graves como isquemia, necrose e perfuração intestinal, que aumentam significativamente a morbimortalidade. A fisiopatologia envolve o acúmulo de líquidos e gases a montante da obstrução, levando à distensão, dor e vômitos. Os distúrbios hidroeletrolíticos variam conforme a altura da obstrução: obstruções altas causam alcalose metabólica hipocalêmica e hipoclorêmica devido à perda de suco gástrico, enquanto obstruções baixas podem evoluir para acidose metabólica devido à isquemia e translocação bacteriana. O diagnóstico é clínico, com apoio de exames de imagem como radiografia e tomografia de abdome. O tratamento inicial envolve estabilização hemodinâmica, descompressão gástrica com sonda nasogástrica e hidratação venosa. A decisão por tratamento conservador ou cirúrgico depende da causa, da presença de sinais de sofrimento de alça e da resposta à terapia inicial. A monitorização rigorosa dos eletrólitos e do equilíbrio ácido-base é fundamental para guiar a reposição e prevenir complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas do abdome agudo obstrutivo?

Os principais sinais incluem dor abdominal tipo cólica, distensão abdominal, vômitos e parada de eliminação de flatos e fezes. O exame físico pode revelar ruídos hidroaéreos aumentados e de timbre metálico no início, e ausentes em fases avançadas.

Como a localização da obstrução intestinal afeta os distúrbios hidroeletrolíticos?

Obstruções altas, próximas ao piloro, resultam em perda de ácido clorídrico e potássio pelos vômitos, levando a alcalose metabólica hipocalêmica e hipoclorêmica. Obstruções baixas, por outro lado, podem causar acidose metabólica devido à isquemia e acúmulo de lactato.

Quando a cirurgia é indicada no abdome agudo obstrutivo?

A cirurgia é indicada em casos de obstrução mecânica completa, sinais de sofrimento de alça (necrose, isquemia), perfuração intestinal ou peritonite. Hérnias encarceradas com sinais de inviabilidade de alça também requerem intervenção cirúrgica imediata.

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