SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2023
Um homem com 49 anos queixa-se de dor abdominal intermitente em forma de cólica há 18 horas, acompanhada de vômitos biliosos. Ele diz que os sintomas começaram aproximadamente três horas após o almoço do dia anterior, melhoraram depois que vomitou, mas retornaram cerca de duas horas depois. Ele sentiu vontade de evacuar logo após o início da dor, mas não houve eliminação de flato nem de fezes desde então. O paciente nega quaisquer episódios semelhantes prévios e não tem outros sintomas clínicos no momento. Foi submetido a uma laparotomia exploradora por traumatismo abdominal há três anos. Ao exame, T: 36,5ºC, FC: 105 bpm, PA: 140/80 mmHg e FR: 24 mpm. Abdome: distendido, cicatriz na linha média supra e infraumbilical, RHA aumentados, com surtos ocasionais de timbre metálico, discretamente doloroso à palpação profunda, DB negativo. Toque retal sem fezes na ampola retal. Os exames laboratoriais revelam níveis normais de eletrólitos. A leucometria é de 16.000/mm2, com 85% de neutrófilos, 4% de bastões, 10% de linfócitos e 1% de monócitos; a hemoglobina e o hematócrito são de 18 g/dL e 48% respectivamente. Foram feitas radiografias abdominais nas posições supina e ortostática, que mostram o intestino delgado dilatado, com níveis hidroaéreos presentes. Qual é o diagnóstico sindrômico mais provável?
Dor abdominal em cólica + vômitos biliosos + distensão + RHA metálicos + cirurgia prévia → Abdome Agudo Obstrutivo.
O quadro clínico de dor abdominal em cólica, vômitos biliosos, distensão abdominal e ausência de eliminação de flatos/fezes, associado a uma história de cirurgia abdominal prévia e achados radiográficos de alças dilatadas com níveis hidroaéreos, é altamente sugestivo de abdome agudo obstrutivo, provavelmente por aderências.
O abdome agudo obstrutivo é uma emergência cirúrgica comum, caracterizada pela interrupção do trânsito intestinal. As causas mais frequentes variam com a idade, mas em adultos com história de cirurgia abdominal prévia, as aderências são a etiologia predominante. Outras causas incluem hérnias encarceradas, volvo, intussuscepção e tumores. O reconhecimento rápido é vital para prevenir complicações graves como isquemia e perfuração intestinal. Clinicamente, o paciente apresenta dor abdominal em cólica, vômitos (que progridem de alimentares para biliosos e, em obstruções distais, fecaloides), distensão abdominal e parada de eliminação de flatos e fezes. Ao exame físico, podem ser observados ruídos hidroaéreos aumentados e de timbre metálico no início, que podem diminuir ou desaparecer em casos avançados. A presença de cicatrizes cirúrgicas é um forte indício. O diagnóstico é primariamente clínico, suportado por exames de imagem. Radiografias simples de abdome podem revelar alças dilatadas e níveis hidroaéreos. A tomografia computadorizada com contraste é o exame mais sensível e específico, permitindo localizar o ponto de obstrução e identificar a causa. O tratamento inicial envolve descompressão gástrica com sonda nasogástrica, hidratação venosa e correção de distúrbios eletrolíticos. A maioria dos casos de obstrução por aderências pode ser manejada conservadoramente, mas a falha do tratamento clínico ou sinais de isquemia/estrangulamento indicam cirurgia de urgência.
Os principais sinais e sintomas incluem dor abdominal em cólica, vômitos (inicialmente alimentares, depois biliosos ou fecaloides), distensão abdominal e parada de eliminação de flatos e fezes.
Cirurgias abdominais prévias são a principal causa de obstrução intestinal por aderências, tornando-se um fator de risco crucial a ser investigado em pacientes com quadro obstrutivo.
Radiografias simples de abdome (supina e ortostática) podem mostrar alças dilatadas e níveis hidroaéreos. A tomografia computadorizada é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico, identificar a causa e o local da obstrução.
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