UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2020
São causas não cirúrgicas de dor abdominal.
Crise de falcização e Cetoacidose Diabética → causas médicas de dor abdominal que mimetizam abdome agudo cirúrgico.
É fundamental para o médico diferenciar causas cirúrgicas de não cirúrgicas de dor abdominal. A crise de falcização e a cetoacidose diabética são exemplos clássicos de condições clínicas que podem cursar com dor abdominal intensa, simulando um quadro de abdome agudo cirúrgico, mas que requerem tratamento clínico específico.
A dor abdominal é uma das queixas mais frequentes na emergência, e o desafio diagnóstico reside em diferenciar rapidamente as causas cirúrgicas das não cirúrgicas. O abdome agudo médico engloba condições que, embora possam apresentar dor intensa e sinais de irritação peritoneal, não requerem intervenção cirúrgica imediata e são tratadas clinicamente. O reconhecimento dessas condições é vital para evitar cirurgias desnecessárias e otimizar o manejo do paciente. Entre as causas não cirúrgicas, a crise de falcização e a cetoacidose diabética são exemplos clássicos. Na crise de falcização, a dor abdominal é resultado de vaso-oclusão e isquemia, enquanto na cetoacidose diabética, a dor pode ser atribuída à acidose metabólica, distensão gástrica ou íleo paralítico. Ambas as condições podem simular um abdome agudo cirúrgico, exigindo uma investigação diagnóstica cuidadosa. Para o residente, é fundamental ter um alto índice de suspeita para essas condições em pacientes com histórico relevante (ex: diabetes, doença falciforme). A anamnese detalhada, o exame físico minucioso e a solicitação de exames laboratoriais específicos (glicemia, gasometria, eletrólitos, hemograma) são cruciais para um diagnóstico diferencial preciso e para instituir o tratamento clínico adequado, evitando morbidade associada a intervenções cirúrgicas inapropriadas.
Na crise de falcização, a dor abdominal é geralmente difusa e intensa, causada por isquemia e infarto de órgãos abdominais devido à oclusão microvascular pelos eritrócitos falciformes. Pode ser acompanhada de febre, náuseas e vômitos, mimetizando apendicite ou colecistite.
A dor abdominal na cetoacidose diabética é multifatorial, podendo ser causada por distensão gástrica, íleo paralítico, irritação peritoneal por acidose metabólica grave, ou até mesmo pancreatite associada. A dor geralmente melhora com a correção da acidose e da desidratação.
Além da história clínica e exame físico detalhados, exames como hemograma completo, eletrólitos, glicemia, gasometria arterial, amilase/lipase, urinálise e exames de imagem (ultrassonografia, tomografia) são cruciais. A presença de anemia falciforme ou hiperglicemia severa com acidose metabólica sugere causas médicas.
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