HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2021
Uma paciente de 32 anos de idade, sem antecedentes mórbidos, procurou o pronto-socorro com queixa de dor e desconforto abdominal iniciados há quatro dias, acompanhados de febre e parada de eliminação de fezes. Ao exame, encontra-se em regular estado geral, desidratada ++/4+, com pulso de 108 bpm, com PA de 120 x 70 mmHg e com abdome pouco distendido, doloroso em andar inferior de abdome, sem sinais de irritação peritoneal.Com base nesse caso hipotético, julgue o item.A radiografia de abdome deve sempre ser usada como primeira forma de avaliação desse tipo de paciente.
Abdome agudo → TC de abdome é superior ao RX para identificar etiologia e complicações.
A radiografia de abdome possui baixa sensibilidade e especificidade para a maioria das causas de abdome agudo; a TC é o padrão-ouro para definir a conduta cirúrgica ou clínica com precisão.
A abordagem diagnóstica do abdome agudo evoluiu significativamente com a maior disponibilidade da Tomografia Computadorizada. O caso clínico apresentado — uma paciente jovem com dor abdominal, febre, parada de eliminação de fezes e taquicardia — sugere um quadro de abdome agudo inflamatório ou obstrutivo. Nesses cenários, a propedêutica deve ser direcionada para exames com maior rendimento diagnóstico. A afirmação de que a radiografia 'deve sempre ser usada como primeira forma de avaliação' é incorreta porque ignora as evidências atuais que priorizam a TC ou, em casos específicos (como suspeita de colecistite ou patologias ginecológicas), a ultrassonografia. O uso indiscriminado do RX como 'primeiro passo' pode levar a diagnósticos tardios e piora do prognóstico. A escolha do exame deve ser baseada na suspeita clínica principal: TC para processos inflamatórios/perfurativos e USG para quadrante superior direito ou pelve feminina.
A radiografia simples de abdome apresenta baixa sensibilidade (cerca de 45-50%) para o diagnóstico de abdome agudo não obstrutivo. Ela é limitada na detecção de processos inflamatórios iniciais (como apendicite ou diverticulite), pequenas quantidades de pneumoperitônio ou coleções líquidas. Além disso, em pacientes obesos ou com muita distensão gasosa, a sobreposição de alças dificulta a interpretação. Embora útil para identificar grandes obstruções ou pneumoperitônio volumoso, um RX normal não exclui patologias intra-abdominais graves, o que pode gerar uma falsa sensação de segurança e retardar o tratamento adequado.
A Tomografia Computadorizada (TC) de abdome é o padrão-ouro devido à sua alta sensibilidade e especificidade (superiores a 90%) para a maioria das causas de abdome agudo. Diferente do RX, a TC permite visualizar não apenas o gás e o esqueleto, mas também órgãos sólidos, vasos sanguíneos, espessamento de paredes de alças, densificação da gordura (sinal de inflamação) e coleções. Ela é fundamental para definir a etiologia exata (ex: localização da obstrução, causa da perfuração) e identificar complicações como abscessos ou isquemia mesentérica, orientando diretamente se a conduta será cirúrgica imediata ou conservadora.
O uso da radiografia de abdome (rotina de abdome agudo: tórax em pé, abdome em pé e deitado) ainda encontra espaço como triagem rápida em casos de suspeita óbvia de obstrução intestinal alta ou perfuração de víscera oca (pneumoperitônio) em locais onde a TC não está prontamente disponível. Também é útil para o seguimento de pacientes com quadros obstrutivos já diagnosticados para avaliar a progressão do gás distal. No entanto, na presença de sinais de alerta ou dúvida diagnóstica, a TC não deve ser retardada pela realização do RX, especialmente em pacientes estáveis.
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