Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015
Mulher de 34 anos, moradora de rua e usuária de crack, soropositiva, é admitida no PS com queixa de dor abdominal difusa há 3 dias e vômitos. Não sabe referir febre. Ao exame: desidratada 2+/4+; FC: 110 bpm e PA: 100 x 60 mmHg. Roncos à ausculta pulmonar, distensão abdominal com dor à palpação superficial e profunda. RX de tórax com infiltrado pulmonar em ápice direito. RX de abdome com distensão de delgado e algumas imagens de nível hidroaéreo em flanco D. Com essas informações, podemos afirmar que:
Em paciente HIV/usuário de crack com abdome agudo e infiltrado pulmonar apical, a tuberculose abdominal é uma forte suspeita, e a laparotomia pode ser não terapêutica.
Pacientes imunocomprometidos (HIV) e usuários de drogas intravenosas (crack) têm alto risco de infecções oportunistas, incluindo tuberculose. Um quadro de abdome agudo com distensão e níveis hidroaéreos, associado a infiltrado pulmonar apical, sugere tuberculose intestinal com obstrução ou peritonite, onde a laparotomia exploradora pode não ser terapêutica e sim diagnóstica, com alto risco de complicações.
Pacientes imunocomprometidos, como os soropositivos para HIV, e usuários de drogas intravenosas, como o crack, apresentam um espectro de doenças infecciosas e não infecciosas que podem levar a um quadro de abdome agudo. A tuberculose é uma infecção oportunista comum nessa população, podendo afetar múltiplos órgãos, incluindo o trato gastrointestinal e o peritônio. A apresentação clínica da tuberculose abdominal é frequentemente inespecífica, com dor abdominal, distensão, vômitos e perda de peso. A presença de infiltrado pulmonar em ápice direito no RX de tórax, juntamente com sinais de obstrução intestinal (distensão de delgado, níveis hidroaéreos) no RX de abdome, levanta forte suspeita de tuberculose intestinal ou peritonite tuberculosa. Nesses casos, a laparotomia exploradora pode ser "não terapêutica" no sentido de que a cirurgia pode não resolver a causa subjacente da doença, que é infecciosa e requer tratamento antimicrobiano prolongado. A intervenção cirúrgica pode ser necessária para diagnóstico (biópsia) ou para tratar complicações como perfuração ou obstrução completa, mas o tratamento primário é clínico. O manejo deve ser multidisciplinar, considerando a complexidade do paciente.
As principais causas incluem infecções oportunistas (tuberculose, CMV, MAC), neoplasias (linfoma, sarcoma de Kaposi), efeitos adversos de medicamentos e causas comuns da população geral, mas com apresentação atípica.
A tuberculose abdominal pode se manifestar como peritonite, linfadenite mesentérica, enterite (especialmente íleo terminal e ceco) com obstrução intestinal, ou abscesso. Os sintomas são inespecíficos, como dor abdominal, febre, perda de peso e distensão.
A laparotomia exploradora pode ser "não terapêutica" quando a causa do abdome agudo é uma condição difusa ou infecciosa que não se beneficia de intervenção cirúrgica imediata (ex: peritonite tuberculosa, enterite por CMV), ou quando o risco cirúrgico supera o benefício, sendo o diagnóstico por biópsia ou tratamento clínico preferível.
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