Abdome Agudo Hemorrágico: Quando Indicar Laparotomia?

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 22 anos de idade, previamente hígida, comparece no pronto atendimento com dor abdominal em baixo ventre de início súbito há 1 hora, de forte intensidade. Vida sexual ativa, usa dispositivo intraútero de cobre há 2 anos. Não se lembra da data da última menstruação, refere ciclos irregulares desde a adolescência. Obstipada há 2 dias, no momento apresenta náusea intensa. Ao exame físico, apresentou regular estado geral, descorada, PA de 80x40 mmHg, FC de 120 bpm. Abdome rígido com defesa global e descompressão brusca positiva em hipogástrio. Toque vaginal intensamente doloroso. Exame de imagem apresentado a seguir:A conduta correta a ser adotada diante dos achados é:

Alternativas

  1. A) Laparotomia .
  2. B) Videolaparoscopia.
  3. C) Tomografia de pelve.
  4. D) Retirada do dispositivo intrautero.

Pérola Clínica

Paciente jovem com dor abdominal súbita + instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia) → pensar em abdome agudo hemorrágico e indicar laparotomia de urgência.

Resumo-Chave

A instabilidade hemodinâmica (choque) é o divisor de águas no manejo do abdome agudo. Enquanto a videolaparoscopia é preferível em pacientes estáveis, a laparotomia exploradora é mandatória em pacientes instáveis para um controle rápido e eficaz da fonte de sangramento.

Contexto Educacional

O abdome agudo hemorrágico é uma emergência cirúrgica caracterizada por sangramento para a cavidade peritoneal. Em mulheres em idade fértil, a principal causa é a gravidez ectópica rota. A apresentação clássica é dor abdominal súbita e intensa, associada a sinais de hipovolemia. A fisiopatologia do choque hipovolêmico decorre da perda sanguínea aguda, levando à diminuição do retorno venoso, do débito cardíaco e da perfusão tecidual. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história e no exame físico que revela peritonite e instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia). A ultrassonografia à beira do leito (FAST) pode confirmar rapidamente a presença de líquido livre na cavidade. O manejo é uma corrida contra o tempo. A prioridade é a estabilização hemodinâmica com reposição volêmica agressiva (cristaloides e hemoderivados) e a indicação de intervenção cirúrgica imediata. Em pacientes instáveis, a laparotomia exploradora é o procedimento de escolha para controle rápido da hemorragia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em um paciente com abdome agudo?

Os principais sinais são hipotensão (pressão arterial sistólica < 90 mmHg), taquicardia (frequência cardíaca > 100 bpm), palidez cutânea, sudorese fria, tempo de enchimento capilar prolongado (> 2 segundos) e alteração do nível de consciência. Esses achados indicam choque e necessidade de intervenção imediata.

Por que a laparotomia é preferível à videolaparoscopia em pacientes instáveis?

A laparotomia permite um acesso mais rápido e amplo à cavidade abdominal, facilitando o controle imediato de sangramentos volumosos. A videolaparoscopia, em cenário de choque, pode ser dificultada pela hipotensão (que reduz o campo visual) e pelo tempo necessário para insuflação do pneumoperitônio.

O uso de DIU de cobre aumenta o risco de gravidez ectópica?

O DIU de cobre é um método contraceptivo altamente eficaz e reduz o risco absoluto de qualquer tipo de gravidez. No entanto, se ocorrer uma falha do método e a mulher engravidar, a chance dessa gravidez ser ectópica é maior do que em mulheres que não usam método contraceptivo.

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