PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2015
Uma moça de 24 anos estava na fila do banco quando, subitamente, apresentou tontura, sofreu uma síncope e caiu ao chão, pálida, com a mão no abdome inferior à direita. O pulso radial estava filiforme e, rapidamente, chamaram uma ambulância do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que a encaminhou para um hospital. Ela chega com os seguintes dados vitais: PA = 75 x 30 mmHg, P = 135 bpm e FR = 32 irpm. Sobre esse caso e o diagnóstico diferencial de abdômen agudo, analise as proposições a seguir: I. A descrição do caso é compatível com um abdome agudo do tipo inflamatório e, pela idade e sexo da paciente, as hipóteses diagnósticas incluem apendicite aguda e doença inflamatória pélvica. II. A descrição do caso é compatível com um abdome agudo do tipo hemorrágico e, pela idade e sexo da paciente, as hipóteses diagnósticas incluem cisto de ovário roto e gravidez ectópica rota. III. A dor visceral apresenta um início súbito e de difícil localização e a dor parietal apresenta um início insidioso, porém, de fácil localização. IV. A melhor conduta nesse caso seria solicitar uma ultrassonografia abdominal para definir o diagnóstico dessa paciente. Estão CORRETAS a (s) proposição (ões):
Mulher jovem com síncope, choque e dor abdominal inferior → abdome agudo hemorrágico (gravidez ectópica rota, cisto roto).
A paciente apresenta sinais clássicos de choque hipovolêmico (síncope, palidez, hipotensão, taquicardia, pulso filiforme) associados a dor abdominal inferior em mulher jovem. Isso é altamente sugestivo de abdome agudo hemorrágico, com gravidez ectópica rota e cisto ovariano roto sendo as principais hipóteses. A ultrassonografia não é a primeira conduta em paciente instável; a estabilização hemodinâmica é prioritária.
O abdome agudo é uma síndrome caracterizada por dor abdominal de início súbito ou progressivo, que requer diagnóstico e tratamento rápidos. Em mulheres jovens, o diagnóstico diferencial é amplo e inclui condições ginecológicas e não ginecológicas. O abdome agudo hemorrágico é uma das formas mais graves, caracterizada por sangramento intra-abdominal que pode levar rapidamente ao choque hipovolêmico. A paciente do caso apresenta um quadro clínico clássico de choque hipovolêmico (síncope, palidez, hipotensão, taquicardia, pulso filiforme) associado a dor abdominal inferior direita, o que é altamente sugestivo de abdome agudo hemorrágico. As principais hipóteses diagnósticas em mulheres jovens com esse quadro incluem gravidez ectópica rota (mesmo que a paciente negue gravidez, deve ser sempre considerada até prova em contrário) e cisto ovariano roto (especialmente cisto de corpo lúteo). A dor visceral é geralmente difusa e de difícil localização, enquanto a dor parietal é mais localizada e bem definida. A conduta inicial em um paciente com instabilidade hemodinâmica é a estabilização, que inclui acesso venoso calibroso, reposição volêmica agressiva com cristaloides e, se necessário, hemoderivados. Exames complementares, como ultrassonografia, são importantes, mas não devem atrasar a ressuscitação e a possível intervenção cirúrgica de emergência. A proposição II está correta ao classificar o caso como abdome agudo hemorrágico e listar as hipóteses diagnósticas relevantes. A proposição IV está incorreta, pois a ultrassonografia não é a primeira conduta em paciente instável.
Sinais e sintomas incluem dor abdominal súbita e intensa, síncope, palidez, hipotensão, taquicardia, pulso filiforme, sudorese, e sinais de irritação peritoneal se houver sangramento significativo.
A gravidez ectópica rota é uma emergência devido ao risco de hemorragia interna maciça, que pode levar rapidamente ao choque hipovolêmico e à morte se não for diagnosticada e tratada cirurgicamente de forma imediata.
A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica com acesso venoso calibroso, infusão rápida de cristaloides, tipagem sanguínea e prova cruzada, e avaliação urgente para intervenção cirúrgica. Exames de imagem são secundários à estabilização.
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