CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023
Paciente do sexo feminino, 22 anos de idade, dá entrada no pronto atendimento com quadro de dor abdominal iniciada em FID e irradiada para toda a pelve, de leve a moderada intensidade, há cerca de 8 horas, acompanhada de tontura, mal-estar e sensação de síncope. Não sabe referir adequadamente o caráter da dor. Nega vômitos, diarreia e sintomas urinários. Refere leucorréia esbranquiçada há 3 meses, ciclo menstrual irregular, com data da última menstruação há cerca de 2 meses. Vida sexual ativa com uso irregular de preservativos ou outros métodos contraceptivos. Ao exame físico encontra-se hipocorada +++/4, FR: 25irpm, FC: 100bpm, P.A.: 90 x 60mmHg. Abdome plano, flácido, simétrico, doloroso à palpação profunda em toda a pelve, com irritação peritoneal duvidosa. Refere dor ao toque vaginal. Toque retal sem alterações. Sobre o caso acima, assinale a alternativa INCORRETA:
Paciente jovem instável com dor pélvica e atraso menstrual → Suspeitar de gravidez ectópica rota ou outra causa de sangramento, priorizar estabilização e investigação cirúrgica.
Em paciente jovem com dor abdominal pélvica, instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, hipocorada) e atraso menstrual, a principal suspeita é gravidez ectópica rota ou abortamento, que são emergências cirúrgicas. Mesmo com Beta-HCG negativo, outras causas de sangramento intra-abdominal (ex: cisto ovariano roto) devem ser consideradas, e a conduta não se limita a tratamento clínico.
O abdome agudo ginecológico é uma condição comum no pronto atendimento, e a apresentação com instabilidade hemodinâmica exige uma abordagem rápida e precisa. A dor abdominal pélvica em mulheres em idade fértil, especialmente com atraso menstrual e vida sexual ativa, deve levantar a forte suspeita de gravidez ectópica rota, uma emergência que pode levar a choque hipovolêmico e óbito se não tratada prontamente. A avaliação inicial deve focar na estabilização hemodinâmica com ressuscitação volêmica agressiva (cristaloides, e se necessário, concentrado de hemácias) e na busca ativa pela causa do sangramento. O exame físico, incluindo toque vaginal, é fundamental. O FAST é uma ferramenta diagnóstica rápida e não invasiva para detectar líquido livre na cavidade abdominal, indicando hemoperitônio. O Beta-HCG é mandatório para descartar ou confirmar gravidez. Mesmo com Beta-HCG negativo, a instabilidade hemodinâmica em um contexto de dor pélvica exige investigação aprofundada, pois outras condições como ruptura de cisto ovariano hemorrágico podem ser igualmente graves. A decisão por tratamento cirúrgico (laparoscopia ou laparotomia) é frequentemente necessária para controle do sangramento e resolução da patologia subjacente, e não deve ser postergada em pacientes instáveis.
Sinais de alerta incluem hipotensão (PA < 90/60 mmHg), taquicardia (FC > 100 bpm), palidez cutâneo-mucosa, tontura, mal-estar, sudorese fria e tempo de enchimento capilar prolongado. Esses achados sugerem sangramento significativo ou choque.
O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é crucial para detectar rapidamente a presença de líquido livre na cavidade abdominal, que na mulher em idade fértil e com instabilidade, frequentemente indica sangramento (hemoperitônio) devido a gravidez ectópica rota ou ruptura de cisto ovariano, guiando a necessidade de intervenção cirúrgica imediata.
Com Beta-HCG negativo, deve-se considerar outras causas de sangramento intra-abdominal, como ruptura de cisto ovariano (especialmente cisto de corpo lúteo hemorrágico), torção de anexos com necrose e sangramento, ou até mesmo causas não ginecológicas que cursam com choque hipovolêmico.
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