Abdome Agudo Ginecológico: Diagnóstico e Manejo com DIU

Unimed-Rio - Cooperativa de Trabalho Médico (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 40 anos, gesta 2 / para 2, 02 cesarianas, em uso de DIU de cobre, apresentando dor em baixo ventre há 24 horas, sem febre. Ao exame físico lúcida e orientada, com fáceis de dor, FR 18 irpm, FC 99 bpm. Apresentou hipotensão postural com queda de 10% a mudança de decúbito e aumento concomitante da frequência cardíaca para 120 bpm. Menstruação regular, porém no último mês ocorreu sangramento que durou 05 dias e não 08 como era o seu habitual. Nega atraso menstrual. Ao exame ginecológico a dor a descompressão no hipogástrio e fossa ilíaca esquerda, sem massas. Fundo de saco posterior doloroso. Sem fluxo vaginal patológico. βHCG negativo. Hemoglobina 11 g%, Leucograma 11000 com 3% de bastões. Diante do quadro clínico exposto é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Suspeita de abdome agudo ginecológico, pode ser inflamatório ou hemorrágico, indicado laparotomia imediata.
  2. B) Suspeita de abdome agudo ginecológico tipo inflamatório, pode ser pelo DIU, indicado laparoscopia imediata.
  3. C) Suspeita de abdome agudo ginecológico, pode ser hemorrágico, indicado ulttrassonografia transvaginal e ressonância magnética prévia a definição do tratamento.
  4. D) Suspeita de abdome agudo ginecológico, pode ser hemorrágico, indicado ulttrassonografia e tomografia computadorizada, prévia a definição do tratamento.

Pérola Clínica

Dor abdominal + hipotensão postural + DIU + βHCG negativo = suspeita de abdome agudo hemorrágico/inflamatório. USG + TC para investigação.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais de abdome agudo, com hipotensão postural sugerindo hipovolemia (hemorragia) e leucocitose com desvio (inflamação). O DIU e histórico de cesarianas aumentam o risco de complicações ginecológicas. A investigação inicial com USG e TC é apropriada para definir a causa e planejar o tratamento.

Contexto Educacional

O abdome agudo ginecológico é uma condição comum na emergência, caracterizada por dor abdominal de início súbito ou rápido agravamento, com origem nos órgãos reprodutores femininos. A epidemiologia mostra que condições como doença inflamatória pélvica (DIP), gravidez ectópica, torção de ovário e ruptura de cisto ovariano são causas frequentes. A presença de um DIU de cobre, como no caso, pode aumentar o risco de DIP e sangramentos anormais, além de um histórico de cesarianas que pode predispor a complicações uterinas. A importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico rápido para diferenciar condições que exigem intervenção cirúrgica imediata daquelas que podem ser manejadas clinicamente. A fisiopatologia pode ser inflamatória, infecciosa, hemorrágica ou obstrutiva. No caso apresentado, a hipotensão postural e a taquicardia sugerem um componente hemorrágico, enquanto a leucocitose com desvio à esquerda pode indicar inflamação ou infecção. O βHCG negativo é crucial para excluir gravidez ectópica em curso, embora não descarte completamente todas as possibilidades relacionadas à gestação. O exame físico detalhado, com palpação abdominal e toque vaginal, é essencial para localizar a dor, identificar irritação peritoneal (fundo de saco doloroso) e descartar massas. O manejo inicial envolve estabilização hemodinâmica e analgesia. A investigação diagnóstica por imagem é fundamental: a ultrassonografia transvaginal é o exame de primeira linha para avaliar os órgãos pélvicos, identificar líquido livre e massas. A tomografia computadorizada (TC) pode ser adicionada para uma avaliação mais completa do abdome e pelve, especialmente se a USG for inconclusiva ou se houver suspeita de outras etiologias ou complicações como perfuração. A decisão pelo tratamento (clínico, laparoscópico ou laparotômico) dependerá da causa subjacente, da estabilidade hemodinâmica da paciente e dos achados dos exames de imagem.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de abdome agudo ginecológico em usuárias de DIU?

Em usuárias de DIU, as principais causas incluem doença inflamatória pélvica (DIP), perfuração uterina (rara, mas possível), gravidez ectópica (embora o DIU reduza o risco geral, se ocorrer, a chance de ser ectópica é maior), e sangramentos anormais relacionados ao próprio DIU.

Como a hipotensão postural pode indicar a gravidade do quadro?

A hipotensão postural, acompanhada de taquicardia, é um sinal precoce de hipovolemia, sugerindo perda de volume sanguíneo (hemorragia) ou desidratação significativa. Em um contexto de dor abdominal, indica um quadro mais grave que requer investigação e intervenção urgentes.

Qual o papel da ultrassonografia e tomografia no abdome agudo ginecológico?

A ultrassonografia transvaginal é a primeira linha para avaliar órgãos pélvicos, identificar massas, líquido livre e avaliar o útero e ovários. A tomografia computadorizada (TC) é útil para avaliar a extensão de processos inflamatórios, identificar sangramentos maiores, perfurações e descartar outras causas abdominais não ginecológicas, fornecendo uma visão mais abrangente.

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