Abdome Agudo: Icterícia e Dor em QSD na Colecistite

HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2022

Enunciado

Sobre o abdome agudo, assinale a opção ERRADA

Alternativas

  1. A) A dor no epigástrio com irradiação para fossa ilíaca direita pode estar presente na úlcera duodenal perfurada;
  2. B) A dor referida no ombro esquerdo pode estar presente nos quadros de pancreatite aguda;
  3. C) Para investigar a presença de pneumoperitônio pode ser solicitado uma radiografia de abdome em decúbito lateral esquerdo com raios horizontais para aqueles pacientes que não podem ficar em pé;
  4. D) Apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo em gestantes;
  5. E) Nos quadros de dor no quadrante superior direito, a presença de icterícia exclui o diagnóstico de colecistite aguda, levando ao diagnósticos de doença das vias biliares (extra ou intra-hepáticas).

Pérola Clínica

Abdome agudo: Icterícia + dor QSD NÃO exclui colecistite aguda; pode indicar coledocolitíase associada ou colangite.

Resumo-Chave

A presença de icterícia em um paciente com dor no quadrante superior direito não exclui colecistite aguda. Na verdade, pode indicar uma complicação da colecistite, como coledocolitíase (cálculo no ducto biliar comum) ou colangite, que são condições graves e frequentemente coexistentes.

Contexto Educacional

O abdome agudo engloba diversas condições que causam dor abdominal súbita e intensa, muitas vezes exigindo intervenção cirúrgica. O diagnóstico diferencial é amplo e exige conhecimento aprofundado da semiologia e fisiopatologia. A dor referida e a irradiação são pistas importantes: a dor epigástrica que irradia para a fossa ilíaca direita pode ocorrer na úlcera duodenal perfurada, e a dor no ombro esquerdo (sinal de Kehr) pode estar presente na pancreatite aguda ou em outras irritações diafragmáticas. A investigação de pneumoperitônio, um sinal de perfuração de víscera oca, é crucial. Em pacientes que não conseguem ficar em pé, a radiografia de abdome em decúbito lateral esquerdo com raios horizontais é a técnica de escolha para visualizar ar livre subdiafragmático. A apendicite aguda é, de fato, a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico em gestantes, tornando seu diagnóstico um desafio devido às alterações anatômicas e fisiológicas da gravidez. No entanto, a afirmação de que a icterícia exclui colecistite aguda em quadros de dor no quadrante superior direito está incorreta. A colecistite aguda é a inflamação da vesícula biliar, geralmente por obstrução do ducto cístico. Se houver um cálculo migrando para o ducto biliar comum (coledocolitíase) ou causando colangite (infecção das vias biliares), a icterícia pode estar presente, coexistindo com a colecistite ou sendo uma complicação dela. Portanto, a icterícia não exclui, mas sim amplia o espectro diagnóstico para incluir outras patologias biliares associadas.

Perguntas Frequentes

Quais são as características da dor na úlcera duodenal perfurada?

A dor na úlcera duodenal perfurada é classicamente súbita, intensa, em "punhalada", geralmente no epigástrio, podendo irradiar para o ombro (sinal de Kehr) ou para a fossa ilíaca direita, simulando apendicite.

Como investigar pneumoperitônio em pacientes que não podem ficar em pé?

Em pacientes acamados, a radiografia de abdome em decúbito lateral esquerdo com raios horizontais é a melhor opção para detectar pneumoperitônio, pois o ar livre se acumula entre o fígado e a parede abdominal lateral.

Por que a apendicite aguda é um desafio diagnóstico em gestantes?

A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico em gestantes. O diagnóstico é desafiador devido à mudança anatômica do apêndice, sintomas atípicos e preocupação com a exposição fetal a radiação, exigindo alta suspeição.

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