HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2022
Sobre o abdome agudo, assinale a opção ERRADA
Abdome agudo: Icterícia + dor QSD NÃO exclui colecistite aguda; pode indicar coledocolitíase associada ou colangite.
A presença de icterícia em um paciente com dor no quadrante superior direito não exclui colecistite aguda. Na verdade, pode indicar uma complicação da colecistite, como coledocolitíase (cálculo no ducto biliar comum) ou colangite, que são condições graves e frequentemente coexistentes.
O abdome agudo engloba diversas condições que causam dor abdominal súbita e intensa, muitas vezes exigindo intervenção cirúrgica. O diagnóstico diferencial é amplo e exige conhecimento aprofundado da semiologia e fisiopatologia. A dor referida e a irradiação são pistas importantes: a dor epigástrica que irradia para a fossa ilíaca direita pode ocorrer na úlcera duodenal perfurada, e a dor no ombro esquerdo (sinal de Kehr) pode estar presente na pancreatite aguda ou em outras irritações diafragmáticas. A investigação de pneumoperitônio, um sinal de perfuração de víscera oca, é crucial. Em pacientes que não conseguem ficar em pé, a radiografia de abdome em decúbito lateral esquerdo com raios horizontais é a técnica de escolha para visualizar ar livre subdiafragmático. A apendicite aguda é, de fato, a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico em gestantes, tornando seu diagnóstico um desafio devido às alterações anatômicas e fisiológicas da gravidez. No entanto, a afirmação de que a icterícia exclui colecistite aguda em quadros de dor no quadrante superior direito está incorreta. A colecistite aguda é a inflamação da vesícula biliar, geralmente por obstrução do ducto cístico. Se houver um cálculo migrando para o ducto biliar comum (coledocolitíase) ou causando colangite (infecção das vias biliares), a icterícia pode estar presente, coexistindo com a colecistite ou sendo uma complicação dela. Portanto, a icterícia não exclui, mas sim amplia o espectro diagnóstico para incluir outras patologias biliares associadas.
A dor na úlcera duodenal perfurada é classicamente súbita, intensa, em "punhalada", geralmente no epigástrio, podendo irradiar para o ombro (sinal de Kehr) ou para a fossa ilíaca direita, simulando apendicite.
Em pacientes acamados, a radiografia de abdome em decúbito lateral esquerdo com raios horizontais é a melhor opção para detectar pneumoperitônio, pois o ar livre se acumula entre o fígado e a parede abdominal lateral.
A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico em gestantes. O diagnóstico é desafiador devido à mudança anatômica do apêndice, sintomas atípicos e preocupação com a exposição fetal a radiação, exigindo alta suspeição.
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