HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2021
Uma paciente de 32 anos de idade, sem antecedentes mórbidos, procurou o pronto-socorro com queixa de dor e desconforto abdominal iniciados há quatro dias, acompanhados de febre e parada de eliminação de fezes. Ao exame, encontra-se em regular estado geral, desidratada ++/4+, com pulso de 108 bpm, com PA de 120 x 70 mmHg e com abdome pouco distendido, doloroso em andar inferior de abdome, sem sinais de irritação peritoneal.Com base nesse caso hipotético, julgue o item.Trata-se de abdome agudo, sendo necessária uma intervenção clínica ou cirúrgica para sua resolução.
Dor abdominal + Parada de eliminação + Febre = Abdome Agudo (requer intervenção).
O abdome agudo é uma síndrome clínica caracterizada por dor abdominal de início súbito que exige decisão rápida (clínica ou cirúrgica).
O abdome agudo é um desafio diagnóstico constante na emergência. No caso clínico, a tríade de dor, febre e parada de eliminação aponta para uma patologia significativa. A ausência de irritação peritoneal no momento do exame não exclui a necessidade de intervenção, seja ela clínica (ex: hidratação, ATB, descompressão) ou cirúrgica (ex: laparotomia). A taquicardia e a desidratação reforçam a gravidade do quadro sistêmico. O diagnóstico sindrômico de abdome agudo é soberano e obriga o médico a prosseguir com a investigação (exames de imagem como TC ou RX) e instituir o tratamento adequado para evitar a progressão para sepse ou necrose intestinal.
O abdome agudo é classificado em cinco tipos principais baseados na fisiopatologia predominante. O inflamatório é o mais comum, exemplificado pela apendicite aguda. O obstrutivo ocorre por bloqueios mecânicos (como bridas ou tumores) ou funcionais. O perfurativo decorre da ruptura de vísceras ocas, gerando pneumoperitônio. O vascular (ou isquêmico) resulta do comprometimento do fluxo sanguíneo mesentérico, sendo extremamente grave. Por fim, o hemorrágico é caracterizado por sangramento intraperitoneal, como na gravidez ectópica rota. Cada tipo exige uma abordagem diagnóstica específica, mas todos compartilham a necessidade de uma avaliação rápida para determinar a urgência da intervenção médica ou cirúrgica.
A parada de eliminação de fezes e gases é um sinal clínico clássico de interrupção do trânsito intestinal. Ela pode indicar uma obstrução intestinal mecânica, onde há um obstáculo físico como aderências, hérnias, volvos ou neoplasias, ou uma obstrução funcional, conhecida como íleo paralítico, comum em processos inflamatórios intra-abdominais graves ou no pós-operatório. Quando associada a dor abdominal em cólica, distensão e vômitos, a suspeita de obstrução mecânica aumenta. A ausência de eliminação por vários dias, como no caso relatado, sugere que o processo está avançado e pode levar a complicações como isquemia de alça e perfuração se não for tratado prontamente.
No pronto-socorro, a gravidade de um paciente com abdome agudo é avaliada inicialmente pela estabilidade hemodinâmica. A presença de taquicardia, hipotensão e sinais de má perfusão indica choque, que pode ser séptico (nos casos inflamatórios/perfurativos) ou hipovolêmico. O exame físico abdominal deve buscar sinais de irritação peritoneal, como defesa involuntária e sinal de Blumberg, que sugerem peritonite. Além disso, a avaliação de disfunções orgânicas através de exames laboratoriais (leucocitose, acidose metabólica, alteração de função renal) ajuda a estratificar o risco. A presença de febre e desidratação, como no caso clínico, já sinaliza uma resposta sistêmica importante que exige intervenção imediata.
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