Manejo do Abdome Aberto e Sepse Abdominal Pós-Operatória

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026

Enunciado

Paciente de sexo masculino, 18 anos, é atendido em pronto-socorro, vítima de ferimento abdominal penetrante por arma de fogo em mesogástrio e HD, sendo submetido a laparotomia exploradora que evidenciou moderada quantidade de sangue livre na cavidade, lesões transfixantes no estômago e cólon transverso e 3 ferimentos no intestino delgado e no seu mesentério. Demais vísceras abdominais sem evidência de lesão. A conduta tomada foi a lavagem da cavidade e sutura simples das lesões e o paciente foi encaminhado a enfermaria no pós-operatório. Você foi chamado pela enfermagem para avaliar este paciente no 5º. dia de pós-operatório, devido a evolução insatisfatória, com dor abdominal difusa, febre e saída de secreção pela ferida cirúrgica. O paciente se apresentava em REG, febril (38,5ºC), FC: 100bpm, FR: 28irpm, P.A.: 80x50 mmHg. Seu abdome era distendido, difusamente doloroso à palpação. Você retirou dois pontos da ferida cirúrgica e observou abundante drenagem de secreção de cor esverdeada e odor bastante fétido. Sobre os próximos passos na abordagem deste paciente, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Caso a nova abordagem cirúrgica indique tratamento com abdome aberto, a instabilidade hemodinâmica secundária a infecção intra-abdominal complicada contraindica o curativo abdominal à vácuo como parte do tratamento deste paciente, sendo o damage control com bolsa de Bogotá a conduta preferencial neste momento.
  2. B) O adequado controle cirúrgico do foco infeccioso, com desbridamento de tecidos desvitalizados, novas suturas ou anastomoses e lavagem da cavidade abdominal, pode possibilitar esquemas antibióticos de curta duração, usualmente entre 4 e 5 dias.
  3. C) A dosagem de procalcitonina no caso acima pode guiar a duração da antibioticoterapia, uma vez que seus níveis séricos são diretamente correlacionáveis com a severidade da infecção bacteriana.
  4. D) Os dados acima nos permitem inferir que há provável indicação de terapia antifúngica para Candida spp.

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