Hanseníase Multibacilar: Manejo do Abandono de PQT

HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente atendido na UBS com as seguintes características: placas foveolares infiltradas eritematosas, com hipoestesia, com "ilhas de pele sã" em meio as placas, espessamento de 2 nervos periféricos, baciloscopia positiva, Mitsuda negativo e biópsia com vários BAAR. Iniciou tratamento com PQT há 3 meses mas abandonou há 30 dias e retorna a UBS após convocação da equipe de saúde. Identifique a conduta correta.

Alternativas

  1. A) Reiniciar o esquema de PQT (rifampicina 600mg/mês; dapsona 100mg/dia; clofazimina 300mg/mês e 50mg/dia) até completar 12 meses;
  2. B) Considerar o tempo já realizado de PQT (mesmas drogas acima) e reforçar a adesão ao tratamento por mais 9 meses, completando 12 meses;
  3. C) Reiniciar o esquema de PQT (rifampicina 600mg/mês; dapsona 100mg/dia; clofazimina 300mg/dia e 50mg/mês) até completar 12 meses;
  4. D) Considerar o tempo já realizado de PQT (mesmas drogas acima), reforçar a adesão ao tratamento por mais 21 meses até completar 2 anos, pois houve esta falha de abandono

Pérola Clínica

Hanseníase MB: abandono < 24 meses → considerar doses já tomadas, completar esquema de 12 meses.

Resumo-Chave

Em casos de abandono de PQT para hanseníase multibacilar por período inferior a 24 meses, as doses já administradas são consideradas válidas. A conduta é reforçar a adesão e completar o esquema terapêutico de 12 meses, sem reiniciar do zero.

Contexto Educacional

A hanseníase, doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, ainda representa um desafio de saúde pública, especialmente no manejo do tratamento e abandono. A classificação em paucibacilar (PB) ou multibacilar (MB) é crucial para definir o esquema terapêutico, sendo a MB caracterizada por maior carga bacilar e lesões mais extensas. O abandono do tratamento, um dos principais entraves ao controle da doença, exige uma conduta específica para evitar recidivas e resistência medicamentosa. O diagnóstico da hanseníase MB é feito por critérios clínicos (múltiplas lesões, espessamento neural) e laboratoriais (baciloscopia positiva, biópsia com BAAR). O teste de Mitsuda negativo é comum na forma multibacilar, indicando anergia. O tratamento, conhecido como Politerapia (PQT), é padronizado pela OMS e Ministério da Saúde, visando a cura e interrupção da cadeia de transmissão. A adesão é fundamental para o sucesso terapêutico e a prevenção de incapacidades. Em caso de abandono do PQT para hanseníase multibacilar, a conduta depende do tempo de interrupção. Se o abandono for por um período inferior a 24 meses, as doses já tomadas são consideradas válidas e o paciente deve ser incentivado a completar o esquema de 12 meses. O reinício completo do tratamento só é indicado em situações específicas, como abandono prolongado ou recidiva confirmada. É vital o reforço da adesão e o acompanhamento próximo da equipe de saúde.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar a hanseníase como multibacilar?

A hanseníase multibacilar é caracterizada por mais de 5 lesões cutâneas, acometimento de nervos periféricos, baciloscopia positiva ou biópsia com múltiplos BAAR.

Qual a conduta em caso de abandono de PQT para hanseníase multibacilar?

Se o abandono for inferior a 24 meses, as doses já tomadas são consideradas e o paciente deve completar o esquema de 12 meses. Se for superior, o caso deve ser reavaliado.

Quais são os medicamentos do esquema PQT para hanseníase multibacilar?

O esquema padrão para hanseníase multibacilar inclui rifampicina, dapsona e clofazimina, administrados por 12 meses.

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