UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2016
Ao assumir a coordenação das atividades do Programa de Saúde da Família desenvolvidas em um município, observou-se que um dos maiores problemas a ser enfrentado é o elevado número de pacientes crônicos que abandonam o tratamento. Quais medidas seriam apropriadas para tentar resolver esse problema?
Abandono de tratamento em crônicos (PSF) → visitas domiciliares, tratamento supervisionado, controle de comparecimento.
O abandono de tratamento em pacientes crônicos é um desafio na Atenção Primária. Medidas como visitas domiciliares, tratamento supervisionado para casos de risco e um controle ativo do comparecimento são eficazes para melhorar a adesão, reforçando o vínculo e a corresponsabilização.
O abandono de tratamento em pacientes com doenças crônicas é um dos maiores desafios na Atenção Primária à Saúde, especialmente no contexto do Programa de Saúde da Família (PSF) ou Estratégia Saúde da Família (ESF). Esse problema compromete a eficácia do cuidado, leva à progressão da doença, ao aumento de complicações e à sobrecarga do sistema de saúde. A adesão terapêutica é um pilar fundamental para o sucesso do manejo de condições crônicas como hipertensão, diabetes, asma e doenças mentais, e sua falha reflete a complexidade das interações entre o paciente, a doença, o tratamento e o sistema de saúde. Para enfrentar o elevado número de pacientes crônicos que abandonam o tratamento, o PSF deve adotar uma abordagem proativa e centrada no paciente. Medidas como a realização de visitas domiciliares aos pacientes faltosos são cruciais, pois permitem que a equipe de saúde compreenda as barreiras reais que impedem a adesão, seja por questões socioeconômicas, culturais, educacionais ou de acesso. Durante a visita, é possível reforçar a educação em saúde, esclarecer dúvidas, ajustar o plano de cuidados e fortalecer o vínculo entre paciente e equipe. Além disso, a instituição do tratamento supervisionado para pacientes com alto risco de abandono é uma estratégia eficaz, especialmente em condições que exigem rigor na tomada da medicação. Um rigoroso controle de comparecimento ao acompanhamento médico, com busca ativa dos faltosos, complementa essas ações, garantindo que nenhum paciente seja 'perdido' pelo sistema. Essas intervenções, que reforçam a integralidade e a longitudinalidade do cuidado, são essenciais para melhorar os desfechos de saúde e a qualidade de vida dos pacientes crônicos, consolidando o papel da Atenção Primária como porta de entrada e ordenadora do cuidado no SUS.
As causas são multifatoriais, incluindo falta de compreensão da doença e tratamento, efeitos colaterais da medicação, dificuldades financeiras, falta de suporte social, barreiras de acesso aos serviços de saúde e percepção de melhora que leva à interrupção.
As visitas domiciliares permitem que a equipe de saúde avalie o ambiente do paciente, identifique barreiras reais ao tratamento, reforce a educação em saúde, estabeleça um vínculo de confiança e ofereça suporte personalizado, melhorando significativamente a adesão.
O tratamento supervisionado envolve a administração ou acompanhamento da tomada de medicamentos por um profissional de saúde, geralmente na casa do paciente ou em um serviço de saúde. É indicado para pacientes com alto risco de abandono, como em casos de tuberculose, ou para aqueles com dificuldades cognitivas ou sociais que impedem a autoadministração correta.
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